Saber interpretar  a expectativa do eleitorado é algo fundamental para uma bem-sucedida  campanha política. Mais do que isso, é preciso  estar afinado  com um marqueteiro capaz de ajudar a virar o jogo quando isso lhe é desfavorável.

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No caso do prefeito Marcus Melo (PSDB), antes de iniciar a campanha do segundo turno, ele e sua equipe já tinham conhecimento do sentimento de mudança que tomava conta do eleitorado mogiano. Faltou-lhe, entretanto, a estratégia correta para a manutenção da votação do primeiro turno e ainda avançar sobre os votos que foram dados a outros candidatos ou até para mobilizar indecisos e ausentes a votarem nele. Nada disso aconteceu. E, o pior: os idealizadores de sua campanha falharam em alguns pontos cruciais, permitindo, por exemplo, que o candidato opositor transformasse em bandeira o episódio do IPTU ocorrido no primeiro ano de governo. E, mais que isso: também passou ao candidato a falsa imagem de uma vitória tranquila no primeiro turno, o que não aconteceu e permitiu que, no segundo, Caio Cunha se beneficiasse da votação de Rodrigo Valverde (PT) e de Felipe Lintz (PRTB), que também defendiam a mesma ideia de renovação e mudanças. Apesar do tempo de sobra, a campanha de rádio e televisão do candidato à reeleição não conseguiu empolgar, além do fato de ter apresentado, ao final, uma falsa imagem de um Marcus Melo denuncista, acusador irado, fugindo totalmente da figura de verdadeiro gentleman, que ele exibiu  ao longo de quatro anos à frente da Prefeitura. E, é claro, junto com tudo isso, vieram  mais alguns complicadores como o episódio do narguilé, que lhe rendeu uma exposição nacional nada positiva. O Melo dos debates, calmo e moderado, destoava do perfil dos programas do horário gratuito. Ali também lhe faltou o apoio de um marqueteiro experiente, que o preparasse para enfrentar o adversário,  sempre pronto para tentar colocá-lo na defensiva, principalmente no derradeiro e decisivo confronto realizado na TV Diário. Mesmo já tendo informações, àquela altura, de que a situação lhe era desfavorável nas pesquisas, Melo poderia, se preparado, ter feito um confronto melhor, o que só ocorreu no último bloco do debate. E mesmo quando poderia ter avançado para cima do erro do adversário quanto à idade de Mogi, Melo se limitou à correção e a um pequeno comentário sobre o tema. Há outros pontos que poderiam  ser avaliados, mas comentar com os resultados em mãos é repetir o episódio do engenheiro que critica a obra depois dela pronta. Marcus Melo, que manteve a cidade funcionando mesmo com as dificuldades causadas pelos governos Temer /Bolsonaro e diante da  pandemia, será reconhecido por isso, assim como pelo +Mogi Ecotietê, a Maternidade Municipal e  Clínica do Homem (Rodeio), mesmo que algumas tenham de ser concluídas e inauguradas pelo prefeito eleito.  

Vice nas decisões

Em entrevista concedida à jornalista Marilei Schiavi, ontem de manhã, o prefeito eleito Caio Cunha (PODE) descartou a possibilidade de sua vice, Priscila Yamagami Khäler, vir a ocupar a Secretaria de Educação, como chegou a ser comentado. Ele disse que quer contar com Priscila para participar de decisões que ele irá tomar durante o governo. Caio também admitiu retirar algumas atribuições da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, como a possibilidade de expedir licenciamentos ambientais, algo que, segundo ele, deverá ser feito pela Secretaria de Obras. Caio voltou a citar o nome de Henrique Naufel quando falou sobre pandemia.

Amigos de infância

O secretário de Cultura e Turismo, Mateus Sartori, usou uma rede social para  lembrar sua antiga amizade com Caio Cunha, ou “Neguinho”,  apelido dos tempos do basquete no Policursos: “Fomos expulsos juntos por criarmos um vírus nos computadores da escola... levamos advertências pq pulávamos o muro para treinar nos finais de semana... criávamos paródias para conquistar as meninas do colégio (sabemos cantar até hj)... vários namoros na casa da Tia Ângela na rua Casarejos (só pra Simone ficar brava!)... meu primeiro contato com um jogo de computador na casa do Tio Paulo... aprendemos a tocar violão no mesmo período com revistinhas do Patão Passa um filme na cabeça! Prefeito Caio Cunha, como enviei pra vc, foi uma boa batalha, e nessa vc não saiu com 5 faltas”. 

Convite ao vivo

A espontaneidade do prefeito eleito Caio Cunha, caso não venha a ser contida por ele, ainda poderá lhe causar dificuldades no comando da Prefeitura. Um exemplo disso aconteceu, ontem, durante a entrevista na Rádio Metropolitana, quando ele, ao vivo, aproveitou o momento para convidar o atual secretário Claudio de Faria Rodrigues, de Planejamento, a integrar o seu governo, antes até de ter conversado pessoalmente com ele. Por mais informal que o fato possa ter sido, soou deselegante, até porque o secretário não estava no outro lado da linha para ouvir o convite e dar a resposta. Um episódio que pode custar ao futuro governo a presença de um dos melhores quadros do atual secretariado de Marcus Melo.