Caio Cunha (PODE) venceu o segundo turno porque conseguiu  entender o sentimento de mudança que estava latente entre o eleitorado mogiano e, ao mesmo tempo, soube carrear positivamente para sua campanha as inconsistências apresentadas na campanha do seu adversário. Caio conseguiu, por exemplo, transformar em seu principal mote de trabalho a questão do IPTU, aparentemente sepultada, mas que acabou se tornando decisiva,  já que o adversário não conseguiu impedir, com fatos e argumentos, que isso acontecesse.

O candidato vencedor, mesmo com um programa de governo inconsistente, soube muito bem se aproveitar  de argumentos criados para desconstruir a campanha do adversário. O bom trabalho de Melo para combater a pandemia do novo coronavírus na cidade acabou sendo sufocado por denúncias de suposto superfaturamento em compras de equipamentos, especialmente as máscaras de R$ 80,00 que  não se concretizou, mas se tornou verdade na campanha bem orquestrada do candidato vencedor.

Outro projeto, verdadeira conquista da cidade, o +Mogi Ecotietê acabou  minimizado por Caio a partir de denúncias de que familiares do prefeito teriam adquirido terras que teriam de ser desapropriadas pela Prefeitura para a obra.

Caio soube desconstruir o discurso do prefeito que, por sua vez, tentou endurecer a campanha no segundo turno, tornando-a muito distante de seu perfil de pessoa sóbria e pouco afeita a embates. Ou seja, Caio falou o que as pessoas queriam ouvir neste segundo turno e, com isso, capitalizou a seu favor  a expectativa de mudanças presente no eleitorado já ao final do primeiro turno.

Algo que se expressou nas elevadas votações do próprio Caio Cunha e de Rodrigo Valverde, outro a capitalizar o discurso de mudanças e contra os “coronéis” da política, expressão que ele cunhou e usou durante toda a campanha. Prova disso foi que Caio aumentou sua votação em  60.065 sufrágios, do primeiro para o segundo turno, enquanto seu adversário cresceu apenas 159 votos.

Assim, alguns fatores parecem ter sido decisivos para o sucesso da campanha de Caio Cunha: saber capitalizar para si o sentimento de mudança despertado na população; o trabalho em equipe que vestiu sua camisa durante todo o tempo (vale lembrar que ele já foi o mais votado para vereador  e para deputado estadual na cidade); o aproveitamento das falhas do marketing de seu adversário; e, por fim, a boa imagem do candidato, que se casou perfeitamente com o seu discurso de jovem que propunha o rompimento com o status quo político da cidade nos últimos tempos. Deram certo.

Futuros secretários

Nos meios políticos da cidade, durante as últimas horas, especulava-se, com base nos apoios ao prefeito eleito, alguns nomes para o seu futuro secretariado. José Arraes, por exemplo, é um forte candidato para o Meio Ambiente, enquanto a atual vice-prefeita Priscila Yamagami Kähler é vista como opção para a Educação, embora tenha de passar pelo crivo da mentora Maria Geny, que pode ter outra pessoa na mira. Para a futura secretaria de Transparência, prometida durante o debate da TV Diário, a jornalista  Jamile Santana pode ser convidada, da mesma forma que o advogado da campanha, Sylvio Alkimin já está cotado para ser o novo secretário de Assuntos Jurídicos.

Atuais secretários

A coerente decisão do prefeito Marcus Melo de ligar para Caio Cunha parabenizando-o pela vitória, no início da noite de domingo, e já abrindo espaço para a transição de governo pode ser também um sinal para que o eleito venha a aproveitar algum nome da atual administração em seu futuro secretariado. Na primeira entrevista coletiva como prefeito eleito, Caio Cunha  falou positivamente de dois integrantes do atual governo. O primeiro deles foi o médico e titular da pasta da Saúde, Henrique Naufel. O outro foi o arquiteto Claudio de Faria Rodrigues, atual secretário de Planejamento, que conhece a fundo os planos para o futuro de Mogi.

Euforia perigosa

Que a euforia pela vitória era grande e merecia ser comemorada, não há o que se discutir. Mas alguém deveria ter alertado o prefeito eleito Caio Cunha dos riscos da concentração de público, por ele incentivada, na Praça Norival Tavares. Para todos os efeitos, a pandemia continua aí, a fazer novas vítimas, ameaçando uma segunda onda, antes mesmo que a primeira tivesse sido controlada. 

A aglomeração de pessoas, algumas sem  máscaras, foi um risco  que o futuro prefeito poderia ter evitado. Mesmo - repito - que a vitória merecesse realmente ter sido comemorada, um pouco mais de cautela  não faria mal a ninguém e, mais que isso, o prefeito eleito teria dado um ótimo exemplo à cidade.