Um fato ocorrido no último dia 12 de fevereiro chamou a atenção de antigos políticos da cidade: a morte, aos 92 anos de Paulo Egydio Martins. 

No comando do governo do Estado de São Paulo, entre 1975 e 1979, ele teve influência direta na política de Mogi das Cruzes, tendo participado diretamente de decisões que marcaram a história da época no município.

No ano de 1976 haveria eleições municipais e cabia ao governador, principal representante da Arena, partido do governo militar da época, definir os candidatos às prefeituras das principais cidades do Estado.

Mogi das Cruzes estava entre elas e o nome mais cotado para disputar eleição entre os arenistas era o empresário Waldemar Costa Filho, que já havia governado a cidade entre 1969 e 1973.

 Havia feito uma boa administração e ganhou prestígio ao construir a rodovia Mogi-Dutra, responsável por tirar a cidade do ostracismo econômico a que foi submetida desde o início da operação da rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 1951 e duplicada seis anos depois.

Waldemar era consciente de suas chances eleitorais, mas procurava se valorizar ao máximo, com um certo charme, descartando, ainda que aparentemente, qualquer interesse em voltar a disputar uma eleição em Mogi.

O tempo passava e só aumentavam as pressões da Arena que, por meio do governador, enviava frequentes emissários a Mogi para tentar convencer Waldemar, que se segurou o quanto pôde.

Com a aproximação do período de campanha, ele encontrou a fórmula mágica para aceitar a candidatura a prefeito e amarrar a ela o apoio do governador, sem o qual seria difícil administrar Mogi à época.

Decidido, Waldemar veio a público e condicionou sua candidatura ao atendimento por Paulo Egydio a uma relação de 18 obras e serviços, os chamados “18 itens”, que incluíam de construção de escolas, até creches, saneamento, pavimentação de vicinais e, em especial, a cereja do bolo, o apoio para a construção da rodovia Mogi-Bertioga, a principal aspiração dos mogianos à época, segundo as pesquisas de opinião.

Paulo Egydio tremeu na base. E mesmo temendo o precedente perigoso para o governo, acabou aceitando a proposta. Afinal, o prestígio político de Waldemar e a necessidade da vitória em Mogi das Cruzes pesaram decisivamente. O pacto foi sacramentado na presença do governador, num Cine Avenida lotado.

Em tempos de voto de legenda, Waldemar  disputou sozinho contra três candidatos do MDB, que podiam somar todos seus votos contra ele e venceu a eleição.

E Paulo Egydio, cumpriu os “18 itens”? Honrou boa parte das reivindicações. Mas a Mogi-Bertioga só viria a ser concluída na administração de seu sucessor. 

Paulo Maluf não só ajudou Waldemar, como veio a se tornar um dos seus principais aliados políticos durante os quatro mandatos do prefeito mogiano.

 

Vaias para o senhor governador

O governador de São Paulo, José Maria Marin, um ex-jogador do União FC de Mogi, nos tempos de Netinho, Chibinha, Bolacha e tantos outros, foi encerrar o Festival de Inverno de Campos do Jordão. O anfiteatro estava lotado. E, do palco, um locutor anunciava: “É proibido guardar lugares. Não pode haver reserva de lugares!”, repetia ele de uma forma que chegou a irritar os espectadores que aguardavam ansiosamente o início do espetáculo. Todos já saturados com tantos avisos e, eis que entra o governador Marim com toda a sua comitiva. Lá na frente, devidamente reservadas, guardadas, duas longas fileiras de cadeiras. E não deu outra: a via explodiu, unânime. 

Questão de palavra

Juvenal de Campos foi membro da Mesa Diretora da Assembleia  e, com seu prestígio, conseguia o que queria com o presidente, o deputado mogiano Francisco Franco. Um dia pede a “Chiquito” um cargo para um correligionário e o presidente assina na hora. Telegrafa para sua Sorocaba e manda o eleitor ficar atento ao “Diário Oficial”. Passados dois meses, conta o jornalista Sebastião Nery, vai até sua cidade e encontra o já ex-correligionário  a dizer cobras e lagartos dele, pois a nomeação  não saíra. Juvenal volta furioso e interpela o presidente, em termos ríspidos. “Chiquito” o acalma: “Ora, deputado, eu assinei, mas não dei a minha palavra de fé. Letra só vale em banco e em música”.

Evitandoos roubos

Waldemar Costa Filho assumiu a Prefeitura de Mogi, pela quarta vez, em 1997. Logo no início do mandato, recebeu a visita de seu filho, o deputado federal Valdemar Costa Neto (PL-SP), acompanhado de dois políticos. Quando a arrumadeira chegou com o café, trazia uma xícara de porcelana com o brasão da cidade e outras três de material ordinário. O prefeito, que faleceu em abril de 2001, pegou uma xícara comum e mandou a auxiliar entregar a de porcelana para um convidado, que perguntou:

- Por que só há uma xícara com o brasão da Prefeitura?

Costa Filho respondeu que as outras haviam sido roubadas.

- Mas por que o senhor não compra outras? - replicou.

O prefeito respondeu:

- Cansei de gastar dinheiro com isso. Pego dinheiro do meu bolso e compro a xícara mais feia que tiver. Ninguém rouba.