Um dos mais folclóricos personagens da política regional, Vicente Alves Pereira, foi prefeito e governou Guararema com mão de ferro, entre 1983 e 1988. Literalmente. Vicente não pensava duas vezes para resolver, no braço ou até no tiro, as pendências que, porventura, tivesse com algum munícipe. As histórias de seu gênio violento ficaram famosas. Que o diga o antigo repórter fotográfico do Diário de Jacareí, Joaquim Constantino, o Quinzinho, atual diretor-proprietário do jornal Gazeta de Guararema, que teve seu equipamento danificado, após ter sido atirado no chão do gabinete pelo exaltado prefeito. Motivo para tamanho despropósito: Quinzinho havia entrado  na sala para fotografar a cantora Meire Rose, que faria o show de aniversário da cidade naquela noite. Mesmo sabendo que era tido pelo prefeito como um de seus inimigos na cidade, o inocente Quinzinho, que trabalhava em Jacareí, certa tarde aceitou a carona que Vicente lhe ofereceu, ao parar sua caminhonete diante do ponto onde o fotógrafo esperava o ônibus para retornar à sua residência, Guararema. A viagem acontecia sem novidades, até que o motorista pediu ao acompanhante que pegasse alguma coisa no interior do porta-luvas do carro. Ao abrir o tampa, uma surpresa: um punhado de balas calibre 38 caíram sobre seus pés. Assustado, ele olhou no interior do compartimento e lá repousava um enorme revólver. Vicente olhou para ele e disse: “Isso é para você, cabra safado!”.  Nem é preciso dizer que o final da viagem foi altamente indigesto para o carona. Pior que isso enfrentou o comerciante Laerte Porto Usier, que para chegar ao sítio de seu pai precisava passar pelas terras de “Vicentão”, como ele não gostava de ser chamado. Certo dia, os dois discutiram e ao encontrar o novo desafeto, em seu carro, no cento de Guararema, o prefeito foi tirar satisfações com ele. Mera força de expressão, pois logo que chegou próximo ao motorista, Vicente enterrou uma das mãos na boca de Usier, pela janela do carro. O comerciante perdeu dois dentes e ainda sofreu lesões em seu lábio inferior. O caso virou processo julgado pelo então juiz mogiano Diomar Ackel Filho, no Fórum de Mogi. Mas quem ficou com péssimas recordações de “Vicentão” foi uma equipe da TV Globo, que foi até Guararema para conferir uma denúncia de uso irregular de máquinas da Prefeitura e da Patrulha Agrícola do governo estadual, para realizar serviços internos na fazenda do então prefeito.  As máquinas realmente estavam lá, trabalhando a todo vapor, mas quando a equipe desceu da viatura que a conduziu até o local para registrar o fato, foi recebida a bala pelo próprio Vicente, que colocou a todos para correr de suas terras. O caso foi parar na Polícia, mas por falta de representação da emissora, acabou esquecido. Vicente fez uma péssima administração e foi o último a administrar Guararema fora do grupo da família Alvino de Souza.

Histórias políticas

Duas histórias de Gaudêncio Torquato: Antônio Constâncio de Sousa, deputado pelo antigo PSP (PR), pediu um aparte a Armando Queiroz, líder do governo na Assembleia:

- Não dou o aparte, não. V. Exa. não está à altura de participar dos debates. V. Exa. não é capaz de citar uma palavra com 3 x.

- Sou, sim. Xaxixo.

Pensava em salsicha.

Hotel zero Km?

O deputado do Rio Grande do Norte desceu no aeroporto Santos Dumont, no Rio, pegou um táxi:

- Hotel Zero Quilômetro.

- Zero Quilômetro? Não tem esse hotel, não.

- Tem, sim. Em frente ao Hotel Ambassador.

- Ah, Hotel OK. Senador Dantas, não é?

- Não, senhor, Deputado Antônio Bilu, de Natal.

Morando com Deus

Essa história já foi contada muitas vezes, sempre mudando o nome da cidade, onde ela aconteceu. Consta que, em Santa Branca, então sede da Comarca de Salesópolis, houve audiência de um processo – requerimento do benefício assistencial ao Idoso para um senhor alto, velho, magro, roceiro humilde e muito simpático, tipo folclórico da cidade. Antes do início  audiência, o advogado orientou seu cliente para afirmar perante o juiz morar sozinho e não ter renda para manter a subsistência. Nisso residiria o sucesso da causa. Na audiência, veio a pergunta:

– O senhor mora sozinho?

– Não! respondeu ele (o advogado sentiu que a coisa ia degringolar).

– Hum, não? Então, com quem o senhor mora?

– Eu e Deus, respondeu o matreiro velhinho.

O advogado tomou um baita susto. Mas a causa foi ganha. O juiz julgou procedente a ação.

Mal-estar em festa chique

A diretoria da Coplatex escolheu o Clube Concórdia, o melhor de Poá, para comemorar o aniversário da empresa. E convidou os prefeitos da região, gente de montadoras e da Fiesp. A festa rolava em grande estilo quando ingressou no clube o prefeito Benedito Freitas, de Biritiba Mirim, terno e sapatos brancos como a neve e gravata vermelho-sangue, acompanhado de uma assessora toda vaporosa. No menu, whisky e vinho da melhor qualidade. A moça, já um tanto alterada optou por champanhe, que não casou com algo à base de groselha, que ela havia tomado antes. O efeito da mistura foi devastador e ela logo colocou tudo para fora, em pleno centro do salão. O odor pouco agradável e o vexame fizeram o prefeito e a acompanhante irem embora mais cedo.