Jacob Cardoso Lopes, o último dos grandes caciques políticos de Mogi das Cruzes, sabia que em votações secretas não se podia confiar sequer nos aliados. E foi por isso mesmo que, no início da legislatura do ano de 1983, ele decidiu tomar algumas providências extras para evitar surpresas desagradáveis para o seu PMDB, que tentava eleger o professor José Cardoso Pereira, o Cardosinho, presidente da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. 

Antes de qualquer outra coisa, no entanto, é preciso lembrar que o partido da oposição, que sempre perdera as eleições na cidade para o gupo político de Waldemar Costa Filho, vinha de uma avassaladora vitória nas eleições municipais de 1982. Apoiado no chamado “furacão Montoro”, que levara Franco Montoro ao governo de São Paulo, o PMDB havia feito cabelo e barba em Mogi. Elegera Jacob Lopes deputado estadual, Machado Teixeira prefeito municipal e ainda 10 dos 17 vereadores da Câmara, deixando o PDS (antiga Arena) com apenas sete vereadores. 

Mas apesar da ampla maioria, Jacob Lopes decidiu tomar algumas medidas para evitar as sempre prováveis traições ou puxadas de tapete que costumam ocorrer na reta final da votação para definir o presidente do Legislativo. 

Numa reunião da bancada peemedebista, ele combinou que cada um dos votantes ficaria encarregado de colocar um pequeno sinal na cédula eleitoral, que continha a inscrição “Câmara Municipal” em sua parte superior. Assim, cada vereador faria um pequeno pontinho com a caneta em baixo da letra correspondente a ele, numa prévia seleção feita por Jacob. O vereador fulano colocaria o pingo sob a letra C, outro sob o A, outro sob o M e assim por diante. Não haveria como trair sem ser descoberto.

José Cardoso foi o mais votado, mas durante a apuração, o vereador Olimpio Tomiyama (PDS), que circulava por detrás dos apuradores, notou algo diferente sob uma das letras: um enorme risco que poderia ser pretexto para anular o voto e, quem sabe, a eleição. Afinal,o escrutínio secreto não permitia qualquer sinal que pudesse identificar o eleitor. Botou a boca no mundo e o circo pegou fogo. Literalmente. 

Só depois de muito tempo de briga, o resultado foi consolidado. Jacob, entretanto, já sabia que o autor do risco era Nelson da Cunha Mesquita, marinheiro de primeira viagem, que não entendeu direito como seria o código e enfiou a caneta para valer sob a letra que lhe era correspondente.

Cuco Pereira, que também estreava na Câmara naquele ano, lembra-se da história e dá boas gargalhadas da enorme confusão que se formou no plenário. Mas a estratégia de Jacob Lopes vingou e Cardosinho acabou ficando com a presidência. 

O voto secreto na eleição da Mesa da Câmara só deixaria de existir algum tempo mais tarde.

Líder de ontem

Jacob Cardoso Lopes  é um dos políticos que marcaram época na cidade. Descendente de uma família que deu à cidade vários prefeitos, ele foi  vereador e chegou a deputado, cassado no exercício de seu mandato. Sua grande paixão, no entanto, era trabalhar nos bastidores da política, especialmente das campanhas eleitorais. Faleceu no ano de  2014.

Nepotismo justificado

Guataçara Borba Carneiro, líder do PSD, foi presidente da Assembleia e depois governador do Estado do Paraná, décadas atrás. Uma tarde, na tribuna, o deputado Oscar Lopes Munhoz o criticava porque nomeara o filho funcionário da Assembleia. Lá de cima da presidência, vesgo, olhando para o lado errado, Guataçara tocou a campainha: - O que é que V. Excia. queria? Que eu nomeasse o seu?

Discutindo o léxico

Antonio Constâncio de Souza, deputado pelo PSP, pediu um aparte a Armando Queiroz, líder de Ney Braga na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. 

“Não dou aparte não, V. Excia. não está à altura de participar dos debates”, respondeu Queiroz. 

“Estou, sim. Por que não?” “ V. Excia. não é capaz de citar uma palavra com 3 xis! “

“Sou, sim: xaxixo”. 

Queria dizer salsicha.

Histórias de políticos da terra roxa

Histórias do folclore paranaense que circulam pela internet:

Contam que o  comendador Luciano Guidotti, prefeito de cidade paranaense, virava e mexia estava ajudando freiras e padres da cidade. Certa vez, foi procurado por umas freiras do Dispensário que lhe fizeram um pedido exagerado. Luciano respondeu:

– E no rabinho, oceis num qué nada?

Latitude dos cães

Pedro Liberty, vendedor de loteria, elegeu-se deputado estadual pelo PTB. Foi à tribuna fazer um discurso contra o prefeito de Curitiba: “As ruas estão emburacadas, sem luz, e, à noite, os cachorros soltos, numa latitude que não deixa ninguém dormir”.

De  Jânio para John 

Nelson Valente, jornalista, escritor, mas não parente, é autor do livro “Jânio Quadros, o Estadista”, onde revela que o próprio presidente, às vezes, transmitia seus bilhetinhos para os ministros por meio do aparelho de telex que mandou instalar em seu gabinete. Ele mesmo datilografava os “memorandos”. Transmitiu ele um bilhete para um ministro e na mesma hora recebeu a seguinte resposta, pelo telex: “Prezado colega. Não há mais ninguém aqui”. Ao que o presidente respondeu: “Obrigado, colega. Jânio Quadros”. Do outro lado do fio, porém, o outro não se perturbou: “De nada, às ordens. John Kennedy...”.