Humberto Van Lieshout, nascido na Holanda, em 1890, tornou-se religioso. E no ano de 1925 veio para o Brasil como missionário, onde adotou o nome de Padre Eustáquio, atuando na região do Triângulo Mineiro, até que acabou transferido para Poá, então distrito de Mogi. Trouxe consigo a fama de milagreiro obtida por conta de curas de inúmeras enfermidades de frequentadores de suas igrejas. Fermin Puerta Filho conta em seu livro, “José Massa -Momentos de uma vida”, com muitas histórias do ex-prefeito poaense, que o padre seguia, com critério , as orientações terapêuticas do “Manual de Medicina no Campo”, que ele sempre carregava consigo e o ajudava  indicar remédios ou ervas para tratar de pessoas doentes, sempre com sucesso. A fama de milagreiro cresceu a tal ponto que as ruas do antigo distrito de Poá não comportavam tanta gente à procura do “Santo Padre”. E a Igreja optou por mandá-lo de volta para Minas, onde ele já havia receitado um de seus infalíveis remédios para um político de nome Juscelino Kubitscheck, à época prefeito de Belo Horizonte. JK doou um terreno para o padre construir a sua nova igreja na cidade, onde ele morreria em 30 de agosto de 1943. A história que vem a seguir teria se passado em 1955, quando JK, atribulado com o futuro lançamento de sua candidatura a presidente, recolheu-se aos seus aposentos recomendando que não fosse incomodado. O que aconteceria ali foi relatado pelo próprio político, como ficou registrado à época: “Fui para o meu quarto, fechei as cortinas, sentei-me na cama e peguei o travesseiro para moldá-lo ao meu gosto, quando a porta do quarto se abriu e entrou um padre. Em silêncio, o padre caminhou  na minha direção e, mesmo na penumbra, pude reconhecer  que era o Padre Eustáquio, falecido há 12 anos. Ele me disse que viera para me abençoar, que eu fora designado a servir o meu País como seu presidente, mas que iria sofrer, enfrentar muita angústia e contradições antes de minha posse. A sua bênção seria na intenção de ajudar-me a atravessar estar ocasiões, a suportá-las e vencê-las. Recebi a bênção em estado de estupefação, a garganta presa, sem dar uma só palavra. Ao final, Padre Eustáquio  se dirigiu até à porta do quarto ganhando o caminho do corredor. De um salto, eu o segui, mas o longo corredor estava completamente vazio”, relatou Juscelino, segundo publicações que circularam, à época,  em Minas Gerais.

 

O meu, o seu, o nosso

 

O  jornalista e radialista Castro Alves, um especialista em pesquisas de opinião, acabou ganhando notoriedade durante os governos de Junji Abe, Marco Bertaiolli e Marcus Melo como apresentador oficial dos eventos da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Para cada prefeito, Castro criava uma espécie de bordão que era usado por ele nas apresentações públicas das autoridades municipais. Junji e Bertaiolli já estavam acostumados a certos exageros do apresentador. Já Marcus Melo, normalmente mais tímido que seus antecessores, faria uma de suas primeiras solenidades após a posse. E lá estava Castro para apresentá-lo. O mestre da cerimônia estufou o peito e lascou: “Com vocês, o meu, o seu, o prefeito de todos nós, Maaaaaaaaaaaaaaaarcos Melo!” Deu tempo para o prefeito ficar vermelho e comentar: “O Castro deixa a gente até com vergonha”. E, sem dúvida, ele ficou mesmo. Até se acostumar com o apresentador.

 

A Covid-19 e o vice

A pandemia do novo coronavírus tem sido responsável pelos fatos mais tristes, lamentáveis  e até insólitos dos últimos tempos neste País. A cada dia que passa, uma nova surpresa envolvendo a mortal Covid-19. Um dos terríveis exemplos de non-sense envolvendo a doença, sem dúvida, partiu do ex-prefeito de Curitiba, Algaci Tulio, que, numa rede social, menosprezou a doença ao tomar conhecimento que testara positivo para ela. Ao saber que era portador da Covid-19, ele escreveu: “Não tenho medo do coronavírus, já peguei coisa pior e ainda chamei de amor”. Os amigos curtiram, ele próprio deu boas gargalhadas da própria postagem, mas a doença se agravou, ele foi hospitalizado e... morreu na última quarta-feira (13). 

 

O sono do guarda

Junji Abe, quando prefeito, tinha fama de linha dura  e fazia jus a ela. Que o digam aqueles que, trabalhando a seu lado, não rezassem pela sua cartilha, ou não seguissem à risca o que ele determinava. Num de seus mandatos, quando ainda não existia o Parque Centenário, era o Leon Feffer, inaugurado também durante sua gestão, que sediava grandes eventos, com forte participação popular. Uma grande festa havia sido preparada para que o prefeito lançasse um de seus projetos e o parque estava lotado. Junji chegou e, cioso como sempre, foi até onde o guarda do parque deveria estar de plantão. E para sua surpresa, encontrou o vigia dentro de um carro... dormindo. O funcionário só não foi demitido. Mas ouviu o que não precisaria ouvir até o resto de sua vida