Em tempos de final de ano, vale lembrar uma história contada pelo ex-gerente do BCN e atual tesoureiro da Santa Casa de Mogi, Moacir Teixeira. Recém-chegado à cidade para comandar a agência bancária da Voluntário Fernando Pinheiro Franco, o corintiano Moacir, um apaixonado pelo futebol, logo se envolveu com a direção do União FC, tradicional  clube mogiano que, à época, aspirava um lugar na divisão principal do futebol paulista, que jamais alcançou durante toda sua existência. Mas era preciso tentar. E lá foi Teixeira, ao lado de José Guerra, Eduardo Nemer, Ado Teixeira, Washington Quintas e outros, bater à porta do prefeito da época, Waldemar Costa Filho, para pedir seu apoio e ajuda ao “Vermelhinho da Rua Casarejos”. Mal a conversa começou e a resposta veio lacônica para o grupo: “Não”, disse o prefeito. A Prefeitura não dispunha de dinheiro para investir no futebol. João Calderaro, outgro integrante do grupo, subiu o tom com Waldemar. “O senhor não está honrando sua palavra, quando disse que, se ganhasse a eleição, iria mudar o Mercado Municipal para o campo do União  e pagar por isso, para que o clube pudesse construir fum novo estádio na Vila da Prata”, disse ele, desafiador. Foi o que bastou para tirar o mineiro do sério. Waldemar deu um tremendo murro sobre a mesa, a ponto de fazer voa um cinzeiro que lá se encontrava e assustar o novato  Moacir Teixeira, que acabara de ser apresentado, pela primeira vez, ao prefeito de Mogi. “Só se eu tirar dinheiro do rabo para dar ao União !”, berrou Waldemar, já completamente alterado e pronto para partir para cima de seu interlocutor. Foi aí que Ado Teixeira fez as vezes de bombeiro e, na tentativa de acalmar o prefeito, lhe disse: “Calma, Waldemar, você é o nosso Jânio Quadros e vai arranjar uma saída para ajudar o União.” Pouco a pouco, a conversa voltaria ao tom de normalidade, quando Waldemar chamou a secretária ao telefone e ordenou: “Louraci, liga para o Careca, o Japonês e o Português. Eles vão ter de ajudar!”. Os três desconhecidos eram, pela ordem, os megaempresários Henrique Borenstein, Fumio Horii e Julio Simões. A conversa com cada um deles foi rápida. Simões passou a oferecer os ônibus para a equipe, enquanto Horii e Borenstein dividiram salários e outras despesas da equipe. “Foi assim que eu fiquei conhecendo Waldemar Costa Filho. Aquele foi o primeiro de muitos encontros que teríamos ao longo dos anos em que estivemos juntos, em Mogi. Eu no BCN, ele na Prefeitura”, lembrou Moacir Teixeira que, até hoje se recorda de detalhes da reunião que, por muito pouco, não terminou numa espetacular confusão.  

História de coronéis 

Quando chegou a Mogi, em 1969, disposto a enfrentar os desafios do curso de Medicina na UMC, Melquíades Portela trouxe consigo, do Ceará, as histórias que testemunhou ou ouviu os mais velhos contarem, sobre as antigas rixas entre os coronéis adversários, partidários da UDN e do PSD. Nos canfundós de Crateús, sua terra natal, era comum um ou outro contratar o chamado cangaceiro para dar cabo de seu adversário. Foi assim com um coronel, que chamou o pistoleiro de outro estado e lhe entregou cinco fotos de seu desafeto, em poses diferentes, para não haver erro na execução do serviço. O matador recebeu as fotos, não perguntou mais nada, saiu e só voltou um mês depois, cabisbaixo, muito triste. Acabrunhado mesmo. O coronel questionou: “Como foi? Fizeste o serviço?” E ele, abatido: “Me desculpe, coronel. Mas dos cinco que o senhor me deu, eu só matei três...”

Nos tempos da pistolagem

Mais um causo nordestino contado pelo estudante que virou médico, professor, diretor do Centro de Ciências Biomédicas da UMC, vice-prefeito e prefeito de Mogi em várias oportunidades, homem de confiança do então chanceler Manoel Bezerra de Melo e da reitora Regina Coeli Bezerra de Melo, e que é o atual diretor da Policlínica da UMC. Melquíades lembra que, certa feita, um coronel cearense contratou um pistoleiro para um servicinho- eliminar seu adversário - que lhe foi mostrado numa fotografia. “É esse cabra safado que você terá de eliminar. Você conhece o sem vergonha?” E o prestativo jagunço: “Conhecer eu não conheço. Mas posso dizer ao senhor que já estou com muita raiva deste filho de uma égua...”

Trem da alegria 

Nas eleições municipais de 1982, os votos ainda eram contados manualmente, um a um, verdadeiro sacrifício para apuradores, juízes e fiscais partidários que tinham de ficar de olho para que uma cédula em branco não se transformasse em voto a favor de algum candidato amigo do escrutinador. Foram dias de dias de apurações, até que a contagem para prefeito, mais rápida que a de vereador, indicou a vitória do candidato Machado Teixeira. Foi uma grande festa dos oposicionistas, que saíram num trenzinho pelas ruas para comemorar a vitória. A festa desguarneceu a vigilância dos fiscais. O suficiente para que alguns candidatos a vereador, que já haviam assumido publicamente a derrota, conseguissem “dar a volta por cima” nas últimas urnas, elegendo-se de um modo que só eles sabiam, mas que jamais contariam.