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COLUNA INFORMAÇÃO

Camaradas & camaradas

A desenvoltura do vereador Jean Lopes junto aos assessores do Ministério dos Esportes, em Brasília, deixou boquiaberto o seu colega de viagem, Cuco Pereira

Darwin ValentePublicado em 09/04/2021 às 14:53Atualizado há 1 mês
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Acostumado a frequentar os gabinetes de Brasília durante os  governos do PSDB, o vereador mogiano José Antonio Cuco Pereira, um tucano de primeira  linha, resolveu voltar à Capital Federal algum tempo após a tomada de poder pelo PT, quando a titular do Palácio do Planalto era Dilma Rousseff.

Os petistas e os companheiros ligados aos partidos de esquerda já estavam devidamente incrustados em seus cargos, quando Cuco desembarcou no  Aeroporto Juscelino Kubitscheck, com destino a alguns gabinetes previamente agendados para tentar descolar recursos para obras na cidade.

Só que Cuco não foi sozinho. Estava em companhia de seu colega de Câmara, Jean Lopes, um antigo militante, ainda que sem grande apego às regras da causa, do Partido Comunista do Brasil, o PC do B.

A viagem até o centro da Capital Federal transcorreu tranquila, mas foi durante a chegada em alguns dos ministérios a serem visitados, que o tucano se surpreendeu com a desenvoltura com que seu companheiro de viagem transitava entre as mesas dos diferentes gabinetes, tratando as pessoas pelos seus nomes, numa intimidade surpreendente e com total reciprocidade de seus interlocutores.

“Era camarada daqui, camarada de lá... e o Jean tratando a maioria deles pelo nome e sendo recepcionado com festas por eles, como se fossem realmente grandes amigos”, contou Cuco, ao relembrar o fato.

Impressionado com o que acabara de testemunhar, logo que deixaram o Ministério do Esporte, Cuco quis saber como e onde Jean Lopes havia conhecido tanta gente e conquistado tantas amizades.

“Esse pessoal eu conheci nos congressos que o partido realiza pelo País afora. Eu sempre participei desses encontros e são justamente uma ótima oportunidade para se conhecer pessoas e fazer amigos, já que os eventos costumam se estender por alguns dias, principalmente aos finais de semana”, teria respondido Jean, com naturalidade, lembrando os encontros na Bahia, Rio de Janeiro e outros tantos estados.

“É conhecendo essas pessoas que se consegue alguma coisa aqui em Brasília”, ensinou o comunista, que sempre manteve  fortes vínculos pessoais com os deputados Aldo Rebelo e Orlando Silva, que se tornaram ministros de Estado durante o período de governo petista. E foi graças a eles e aos “camaradas” dos escalões inferiores que  Jean conquistou recursos para praças esportivas e outros setores da cidade.

Cuco, por sua vez, até hoje ainda se impressiona com o que testemunhou em Brasília. A chegada ao poder do PT e dos “camaradas” do PC do B abriu as portas dos gabinetes para o vereador mogiano e também lhe permitiram, com a ajuda do partido, conhecer boa parte do Brasil nas viagens para os congressos. 

Tanto Cuco como Jean já não integram mais os quadros da Câmara de Mogi. O primeiro porque desistiu da carreira; o segundo porque não conseguiu se reeleger nas eleições passadas.

Na base do “tresoitão”

Joel Avelino Ribeiro, grande amigo de Waldemar Costa Filho, o levou para fazer campanha em um condomínio do Rodeio. Muita gente se apresentou para fazer perguntas ao candidato, mas um espalhafatoso rapaz não dava chances. Já irritado, Waldemar discretamente desabotoou o paletó, deixando transparecer na cintura a culatra de seu inseparável “tresoitão”. O impetuoso garoto olhou e se calou. Dali em diante, lembra Avelino, a reunião transcorreu  em absoluta harmonia. Odair Cardoso, tão bom fotógrafo quanto cozinheiro, lembra que na inauguração do ginásio de esportes da empreiteira Vidal, em César, fazia a cobertura fotográfica do evento para a família. Na hora de descerrar a placa, ele se aproximou do prefeito e acabou esbarrando no revólver que ele trazia na cintura. Afastou, mas Waldemar notou e lhe disse, bem humorado: “Fique calmo, isso não é para você não!”  Odair respirou aliviado.

Tapinha não dói?

Waldemar Costa Filho, prefeito de Mogi por quatro mandatos, tinha o hábito de dar tapas nas costas de seus interlocutores. Certo dia, lembra o jornalista Alexandre Antunes, ele recebeu em seu gabinete dois representantes das cidades-irmãs de Mogi no Japão, Seki e Toyama. Quase que automaticamente, Waldemar desferiu um “tapaço” nas costas do primeiro japonês que o cumprimentou. Acreditando, certamente, que tal atitude fosse algo tradicional entre os brasileiros, o visitante retribuiu com outro golpe  nas costas de Waldemar, tão ou até mais forte do que ele havia dado. Waldemar sentiu a “gentileza”. O tapa foi tão forte que o prefeito deu um passo à frente, em meio a uma crise de tosse. Entre os jornalistas presentes, não houve quem segurasse o riso.

Que venha a marinha

Enchentes sempre atormentaram a população e autoridades de Suzano. Como aquela de 1963, que cobriu a estrada do Rio Abaixo, deixando ilhados os moradores da região. Representante do bairro, o vereador Virgílio formou uma comissão e foi falar com o prefeito da época, Firmino José da Costa. “A coisa tá feia, não passa carro, ônibus, carroça, nada. Você precisa fazer alguma coisa, prefeito”, cobrou. “Todos os barcos que nós arranjamos  estão trasnportando o pessoal”, retrucou Firmino. “Mas não são suficientes”, insistiu Virgílio. “Precisamos ter paciência, as águas vão baixar”, disse o prefeito. “E se não baixar?” - interrompeu Virgílio, nervoso. “Se não baixar, vamos ligar para a Marinha e pedir um submarino emprestado...”- sacramentou o prefeito.

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