Passada a ressaca dos festejos e comemorações pela vitória no segundo turno das eleições municipais na cidade, o prefeito eleito Caio Cunha (PODE) enfrenta o primeiro grande momento decisivo para a sua futura administração: a montagem de um Secretariado afinado e comprometido com as propostas de campanha do futuro ocupante da Prefeitura de Mogi. Para muitos mogianos, a composição da futura equipe de governo será decisiva para saber se o futuro governo estará comprometido com a cidade, ou com amigos ou eventuais colaboradores de campanha. A cidade espera por um grupo técnico da mais alta qualidade e o prefeito sabe disso. Mas já começa a ter contato com uma dura realidade: o salário de R$ 17 mil pago pelo município a um secretário pode parecer um valor razoável, porém está muito abaixo do que a iniciativa privada costuma oferecer para bons técnicos. O serviço público apresenta ainda um outro complicador: os riscos que se corre, caso algo não dê certo e possa ir parar nas barras dos tribunais. Tais processos são defendidos por advogados da Prefeitura ou contratados por ela, enquanto dura o período de mandato. Terminado esse tempo, a pessoa física do funcionário passa a responder por  esses processos, tendo que tirar dinheiro do próprio bolso para custear as despesas com o advogado que terá de contratar, caso não esteja disposto a ser defendido por algum profissional dativo, geralmente em início de carreira e sem a experiência necessária para livrar o réu das acusações. Mas nem tudo são espinhos. Com um pouco de sorte, Caio Cunha poderá deparar com algum benemérito disposto a trabalhar em favor da cidade pelo salário disponível. Ou até mesmo algum especialista que esteja disposto a prestar serviço para fixar o seu nome em um nicho especial de mercado, que é o serviço público. Tudo isso  - e muito mais - torna a missão de montagem do Secretariado um trabalho que colocará à prova o faro do administrador para encontrar bons profissionais e montar a sua equipe à altura de suas expectativas. Não bastasse tudo isso, o prefeito eleito ainda terá de lidar com algumas pessoas que se oferecem para determinadas áreas de trabalho, mesmo não tendo um mínimo de formação ou experiência no cargo. São os que buscam na Prefeitura o sonhado cabide de emprego, ou que se aproveitam de apoios políticos mal negociados para achar que são donos deste ou de outros cargos no governo.E é diante de todas essas opções que o futuro prefeito terá a missão de encontrar as pessoas certas para os lugares certos, sob  pena de começar seu governo com o pé esquerdo. Algo não é esperado pelo prefeito eleito Caio Cunha e muito menos pela cidade de Mogi das Cruzes e seus moradores. 

Cara a cara

O prefeito eleito Caio Cunha gravou, ontem pela manhã, uma entrevista com este repórter, que terá seus melhores momentos reproduzidos na edição impressa deste jornal, no próximo sábado. Na conversa de mais de uma hora de duração, o eleito falou de aspectos bons e ruins da campanha; anunciou os dois primeiros nomes de seu primeiro  escalão - Claudio de Faria Rodrigues, no Planejamento; e Francisco Camargo, na pasta de Governo - e integrantes da equipe de transição. Caio falou sobre obras e abordou aspectos políticos da cidade, como a eleição da futura Mesa Diretora da  Câmara. A entrevista com imagens também estará disponível no site deste jornal

Maldição na Câmara.

Com  muitos vereadores estreantes, a eleição do futuro presidente da Câmara poderá privilegiar vereadores mais antigos e experientes, conhecedores das nuances do Regimento Interno. A princípio, estão na parada Francimário ‘Farofa’ (PL), o decano Pedro Komura (PSDB), Otto Rezende (PSD) e Clodoaldo de Moraes (PL). Vença  quem vencer,  o futuro presidente deverá tentar se livra da “maldição do TCE”,  que rejeitou as contas dos últimos comandante da Casa. Começou com Bibo Fernandes e passou por Carlos Evaristo, Protássio Nogueira, até chegar em Mauro Araújo. As contas do atual, Sadao Sakai (PL), ainda não foram analisadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

Pasta das licitações

Os vazamentos de áudios  do candidato derrotado à Prefeitura, Felipe Lintz (PRTB), seriam obra de um ex-assessor insatisfeito com o tratamento recebido do político durante sua recente campanha. Segundo comentários que circulam nos meios políticos locais, esses áudios chegaram a ser oferecidos aos outros candidatos durante a campanha, mas nenhum deles se interessou pela aquisição. A nova estratégia do detentor dos áudios é divulgar por etapas.  Um desgaste enorme para o político em início de carreira, já que os conteúdos dos vídeos mostram declarações nada ortodoxas do ex-candidato, se autovangloriando dos resultados de negociações não confirmadas e nem comprovadas. No mais recente, Lintz dizia que seria secretário de Gestão, a “pasta das licitações” do governo municipal.