ARTIGO

Indústria e agricultura

Cláudio Costa

O Brasil começou a se industrializar nos anos 20, do século passado. Por 60 anos nossas políticas foram guiadas pela ideia de industrialização necessária para melhorar o padrão de vida da população e modernizar o país. Os asiáticos também escolheram este caminho. Como resultado, o país cresceu a uma taxa media de 6% durante este período e, em 1980, a nossa renda per capita era duas vezes maior do que a dos asiáticos. Nos últimos 40 anos, os asiáticos continuaram se industrializando e crescendo e demonstraram ao mundo que é possível chegar a ser uma nação desenvolvida em duas ou três gerações. O Brasil estava a caminho, mas parou em 1980, pois muitos economistas de renome e influentes se convenceram de que a agricultura e mineração crescendo a altas taxas não trariam maiores consequências econômicas.

Infelizmente, as consequências foram severas. As últimas décadas demonstram que a agricultura não pode compensar a falta de crescimento industrial e fazer com que a economia, como um todo, cresça as taxas de 5%. Sem dinamismo industrial aumenta, em muito, a informalização da força de trabalho e o resultado está aí, ou seja, quase 90 milhões de brasileiros foram beneficiados com a ajuda emergencial do governo durante a pandemia, que demonstrou, acima de tudo, a informalidade em nosso país.

Estudos empíricos em muitos países mostram que os empregos “bons”, estáveis e com salários maiores se realizam através do crescimento industrial.

Não podemos perder o foco naquilo que somos competitivos no agronegócio e na mineração, mas também não podemos perder a oportunidade de termos uma política industrial voltada para a indústria de transformação que transforme o país em um polo industrial e “hub” de exportação necessários para geração de emprego e aumento significativo de renda da população.

Não podemos mudar o passado, mas podemos, sim, transformar o futuro.

Cláudio Costa é diretor de Desenvolvimento Econômico e Social de Mogi das Cruzes.


Deixe seu comentário