EDITORIAL

Haja paciência

O arroz está no centro das discussões porque acumula uma alta de preço em 12 meses. Mas, na verdade, na verdade, encareceu não apenas o principal parceiro do feijão no prato do brasileiro. O consumidor tem ficado assombrado com a caristia de tudo, óleo, carne e leite.

A etiqueta do arroz vem sofrendo reajustes em resposta à alta do dólar, o que tornou a exportação mais atrativa do que as vendas no mercado interno. Além dessa questão pontual, contribuiu para esse cenário, a redução da área de produção nacional e o período de entressafra. Aliás, nesse período, após o inverno, certos preços disparam.

Soma-se a isso, a pandemia da Covid-19. Houve um aumento substancial do consumo de alimentos. Já se tenta colocar, inclusive, a culpa no pagamento do auxílio emergencial que favoreceu os mais pobres. Veja isso.

Tudo isso cabe nas explicações de economistas e entendidos sobre o agronegócio, mas não resolve o drama de quem se indigna, com toda razão, no caixa do supermercado. O quilo de arroz ficou até 120% mais caro. Demorou muito a resposta do governo federal a uma situação que caminhava para chegar a esse ponto.

Ao zerar a taxa de importação para conter um possível desabastecimento e revolta popular, o governo colherá resultados daqui a algum tempo. Só isso não resolve tudo. A cesta básica está muito cara e o custo da alimentação passou a pesar muito.

Os abusos precisam ser combatidos, com rigor. E eles existem, sim. Vimos isso com a súbita alta no preço do álcool gel, no início do ano. Aliás, institutos e órgãos de defesa do consumidor andam pecando – e muito, na reação tardia e aceitação dos crimes contra a economia popular.

Ações de Procons são lentas. O desânimo diante das respostas às reclamações influem no desânimo do consumidor porque ele não acredita que terá os direitos defendidos. Uma hora é o tomate, depois o álcool gel e o arros, e assim vai.

Outro instrumento para calibrar a oferta e procura são as substituições dos itens mais caros por outros mais baratos. O preço das coisas é definido pela demanda pela compra e a disponibilidade do estoque, uma lei que acaba sempre pendendo para o lado mais fraco dessa balança, o consumidor. Até que a paciência acabe. Aliás, o brasileiro tem sido testado até as últimas consequências. Veja agora mesmo os benefícios e altos salários que categorias, como a do Judiciário, estão dando um jetinho de conquistar na reforma administrativa.


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