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Folclore Político (L) Um “pindura” inesquecível

EM MOGI Tuta, ao lado de Jânio Quadro e dos professores Tanaka e Sardinha, na saída do antigo Terraço Paulo, após o arroz à carreteiro, cuja história foi relatada aqui neste espaço, semana passada. (Foto: Professor Tuta/Arquivo Pessoal)

Francisco de Paulo Morais Torres, o Chico Torres, poderia ter passado boa parte de sua vida em Mogi das Cruzes, onde seu pai foi, por muito tempo, agente dos Correios, não fosse sua opção pela vida acadêmica. E que vida! Depois de completar os estudos no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, ele acabou indo para na Universidade de São Paulo, onde se transformou naquilo que poderíamos chamar de “estudante profissional”. Ou seja, aquele aluno que jamais termina o curso e encontra sempre uma maneira de continuar convivendo com os amigos que vão se renovando, enquanto ele permanece frequentando as salas de aula e alojamentos escolares. Chico Torres era, acima de tudo, um boêmio, que costumava varar as noites em saraus ou nos bares próximos da USP, onde se tornou conhecido por sua intimidade com uma cachacinha, não importando a marca. Foi ainda no Arquidiocesano que ele conheceria um aluno que, bem mais tarde, iria se inclinar, em definitivo, pelos lados da política. Jânio da Silva Quadros tornou-se grande amigo de Chico Torres e assim continuaram, quando ambos passaram a conviver sob as arcadas do prédio da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Uma noite, os dois universitários se encontraram no bar de um português, nas proximidades da USP, e decidiram tomar alguma coisa para se aquecerem. Uma, duas, três, quatro doses e muitas outras. Chico e Jânio já estavam literalmente “altos” quando decidiram deixar o boteco e, só então, descobriram que estavam sem um mísero tostão nos respectivos bolsos. Mas como eram conhecidos do “Portuga”, assinaram a nota de débito e foram embora, se esquecendo por completo da dívida. O tempo passou, Chico continuou na escola e Jânio se enveredou pela política. Foi vereador, deputado e… finalmente, presidente da República. Foi quando o português do boteco mandou colocar a nota assinada por Jânio e Chico num quadro, que ganhou espaço nobre na parede de maior visibilidade de seu bar. A prova do “pindura” fora de hora permaneceu lá por um longo tempo. A história foi contada à coluna por José Carlos Miller da Silveira, o nosso sempre festejado Professor Tuta, que prestes a completar 87 anos no próximo dia 30, continua dono de uma das memórias mais privilegiadas desta Cidade.

O visitante
Tuta era presidente municipal do PMDB de Mogi e atuava ao lado de Padre Melo na UMC, quando foi instado a intermediar um encontro com o pré-candidato a governador Barros Munhoz, que foi marcado para um domingo. Tuta foi de carro buscar o visitante que desceu, com seu helicóptero particular, no Centro Esportivo do Mogilar. Na UMC deserta, Melo recebeu Munhoz na sala da Reitoria e pediu que o assessor deixasse a sala. Quase duas horas depois, Tuta foi chamado de volta e encontrou os dois sorridentes. Tinham se acertado politicamente. E Munhoz foi levado embora, mas voltaria para uma carreata pela Cidade. Acabou em 4º lugar na eleição de 1994, vencida por Mário Covas (PSDB), num segundo turno disputado com Francisco Rossi (PDT).

Até o rádio
História da Assembleia Legislativa do Rio, resgatada por Sebastião Nery. O homem chegou ao corredor, desolado e, desesperado, e disse aos amigos: “Invadiram a minha casa, levaram tudo: carro, som, televisão, fogão e geladeira, pratos e panelas, camas e cadeiras. Tudo. Só deixaram o radinho.” E o que é que você fez? – indagaram os amigos. “Chamei a Polícia”, disse. E daí, voltaram a lhe questionar. “Levaram o radinho”.

Receitas
Lembrem-se de Ulysses Guimarães, o “Senhor Constituinte”, político mais que vivido e respeitado, capaz de enumerar receitas para os novatos na arte, como estas: “Não seja impaciente. A impaciência é uma das faces da estupidez. Quem está na vida política não pode ganhar uma categoria histórica do dia para a noite. O caminho é longo, paciente, perseverante, difícil. Não pode haver afoiteza. A impaciência não acaba só com carreira futebolística”.

Com Adhemar
Outra de Nery. Salomão Jorge reuniu a Imprensa e comunicou que havia rompido com o governador Adhemar de Barros. Os jornalistas indagaram o motivo e ele respondeu: “O Adhemar fez chover ouro no quintal do Maia Lelo (presidente do Banco do Estado); fez chover ouro no quintal do Paulo Lauro (prefeito de São Paulo); fez chover ouro no quintal do Arnaldo Cerdeira”. E o que foi que o governador fez com o senhor? – questionaram os repórteres. E Salomão: “No meu quintal ele abriu o guarda-chuva”.

Cotidiano

EM MOGI Tuta, ao lado de Jânio Quadro e dos professores Tanaka e Sardinha, na saída do antigo Terraço Paulo, após o arroz à carreteiro, cuja história foi relatada aqui neste espaço, semana passada. (Foto: Professor Tuta/Arquivo Pessoal)

Frase
O problema de Minas é falta de fé. Vamos juntar minha fé, sua fé, nossas fezes, para salvar Minas.
Frase atribuída ao ex-governador mineiro, Newton Cardoso, campeão das gafes famosas naquele Estado


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