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Folclore Político (CLVIV) Às armas! O duelo vai começar

O convite foi feito, mas a disputa acabou mesmo nas urnas eleitorais de 1982

Uma das mais marcantes histórias do folclore político mogiano vale a pena ser relembrada nestes tempos de disputas eleitorais não tão acirradas assim. Entre o final dos anos 70 e início da década seguinte, a política local fervia, dividida entre Arena e MDB, únicos partidos que a ditadura militar permitia, à época. Do lado dos arenistas, o prefeito Waldemar Costa Filho; e, na oposição, liderando os emedebistas, o advogado trabalhista Rubens Nogueira Magalhães. No passado, os dois mineiros tinham sido grandes amigos. Eram compadres: Waldemar foi padrinho de casamento de Magalhães. Os caminhos da política, porém, os levaram a lados opostos. Magalhães não tolerava o estilo linha dura, ditatorial mesmo, que Waldemar adotava para governar a cidade, principalmente na hora de aumentar impostos. E foi logo após um desses aumentos que o emedebista veio a público, por meio de uma “seção livre” deste jornal, para criticar a medida do prefeito. Waldemar não deixava críticas sem respostas e, diante do que ele considerou um insulto do adversário, ocupou toda a primeira página do jornal seguinte para responder ao seu crítico. Rebateu, ponto a ponto, as afirmações de Magalhães e, no final da longa peroração, disse que se o adversário desejasse, estaria pronto para se encontrar com ele em qualquer lugar da cidade para tirarem a limpo suas diferenças. Pronto. Estava feito o convite para o duelo que o jornal retratou de maneira perfeita em sua próxima edição, com uma charge de ambos trajados como pistoleiros do Velho Oeste, prontos para sacar dos coldres suas respectivas pistolas. Como nos velhos filmes de faroeste. A repercussão foi enorme, a ponto de trazer para a cidade repórteres de televisão e de jornais da Capital, ávidos para que a disputa se concretizasse. Mogi viveu dias de expectativas. Fofocas corriam soltas. Mas o duelo não aconteceu. Ou melhor, foi adiado para as eleições municipais de 1982, quando o MDB, liderado pelo fenômeno Franco Montoro, impôs uma acachapante derrota à Arena em todo o Estado. Em Mogi, Rubens Magalhães não se elegeu. O ungido pelas urnas foi o promotor público Antonio Carlos Machado Teixeira. Waldemar e Magalhães só voltaram às boas muito tempo depois e ainda atuaram juntos, na Prefeitura. No quarto e último mandato de Waldemar. Coisas de mineiros…

No berro

Para lembrar uma de Sebastião Nery: Nestor Duarte, deputado e escritor baiano, viajava pelo interior de seu Estado com o jornalista Nilson de Oliva. Conheceram um pistoleiro cego. “Como o senhor faz para matar sem ver?”. A resposta: “Ah, doutor, eu grito o nome do cabra. Quando ele responde, atiro um palmo abaixo do berro. Não erro um.”

“P” de cheque

Contam que Cláudio Lembo, à época no PP, ligou para um amigo em Mogi, perguntando se ele já se filiara a algum partido. “Não, estava esperando suas ordens; você sabe que sempre estou do seu lado”. E Lembo: “Muito bem. Então se filie ao PP”. O interlocutor: “No PT? O do Lula?”. “Não, no PP”, rebateu o político. “Continuo ouvindo mal”, alegou o mogiano. E Lembo, definitivo: “Vou falar alto e devagar: PP. P de partido e P de cheque”. O amigo entendeu, de pronto.

O beijo

Francisco Pereira, o Quico, era candidato a prefeito de Salesópolis, contra José Francisco Citrângulo, o Nego, que pertencia à Maçonaria, e sobre o qual foram espalhados os mais inusitados rumores. Certa noite, numa reunião com eleitores, nos cafundós da zona rural, alguém perguntou a Quico: “É verdade que o Nego tem de beijar a boca de um bode todos os dias?” O candidato não respondeu. Após alguns longos segundos, em silêncio, dobrou os joelhos em terra, persignou-se por três vezes, e disse, compenetrado: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!” Quico ganhou a eleição naquele ano.

Preguiça

O consultor Gaudêncio Torquato conta que o brigadeiro Eduardo Gomes fazia seu primeiro comício para a campanha presidencial de 1945, no Largo da Carioca, no centro do Rio, diante de uma multidão que o ouvia em silêncio: “Brasileiros, precisamos trabalhar!” Do meio do povo, uma voz poderosa gritou: “Já começou a perseguição!” Bagunça generalizada. O comício quase acabou ali.

Frase

Não se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados.

(Provérbio judeu)


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