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Folclore Político (CLVII) “Vá buscar o sanguíneo!”

Vale relembrar a história de Melquíades Machado Portela, que muito antes de vir para Mogi das Cruzes, onde fez brilhante carreira na área da Medicina e transitou com desenvoltura pela política, como vice-prefeito de Waldemar Costa Filho, viveu em Crateús, no Ceará. Descendente de família cristã e afeita às solenidades religiosas de todos os domingos na principal igreja da cidade, o jovem Melquíades logo se tornou o ajudante preferido de Padre Lima, o recém-ordenado pároco local. Padre Lima era o apelido que o sacerdote Manoel Bezerra de Melo havia herdado do sobrenome de seu pai, Manoel Bezerra de Lima Filho, que, por sinal, é como se chama a avenida que passa entre o Mogi Shopping e a Universidade de Mogi das Cruzes, que ele fundou, aqui na cidade. Pois num domingo de missa, já no altar, o padre chamou o coroinha de lado e lhe disse: “Melquíades, vá até a sacristia buscar o sanguíneo”. O ajudante tremeu na base: nunca tinha ouvido falar no tal sanguíneo e, em plena cerimônia, com a igreja lotada, não havia tempo – e nem condições – de indagar ao sacerdote, que diabos seria a tal encomenda. Pernas bambas, lá foi ele, em silêncio, para a sacristia, local onde eram guardados os paramentos e outros acessórios utilizados nas cerimônias religiosas ali celebradas. Pensou por alguns instantes e, por fim, acabou levando para o padre uma enorme toalha que encontrou por lá, numa das gavetas. O Padre Lima não conseguiu conter o riso, mesmo diante dos fiéis frequentadores da celebração. Somente depois da missa, Melquíades ficou sabendo que o sanguíneo era apenas um lencinho comprido, com uma cruz numa das extremidades, normalmente usado pelo sacerdote para limpar o cálice do vinho, tomado durante as missas. Melquíades e Bezerra, voltaram a se encontrar em Mogi e costumavam dar boas risadas, toda vez que a história era lembrada.

Coisas de Minas

O ex-governador Geraldo Alckmin contou que, certa vez, o famoso político mineiro, José Aparecido, um dia chegou à sua Conceição do Mato Dentro e iniciou a romaria dos amigos. Entrou um coronel, mansos passos e chapéu na mão: “Bom dia, doutor. Boa viagem?” E ele: “Boa. Como vão as coisas?” O coronel: “Tudo correndo como de costume. Novidade aqui nunca tem e lá pra fora não sei, porque minha televisão está defeituada.” Aparecido quis saber o que houve com o aparelho e o interlocutor foi rápido e preciso: “Não sei não. Às vez farta prosa, às vez farta feição”.

Quiçá

Conta o consultor Gaudêncio Torquato: Benedito Valadares, governador de Minas, foi a Uberaba para abrir a Expozebu. E passou a ler o discurso preparado pela assessoria. A certa altura, mandou ver: “Cuíca daqui saia o melhor gado do Brasil”. Ali estava escrito: “Quiçá daqui saia o melhor gado”. A imprensa caiu de gozação. Passou-se o tempo. Anos depois, em um baile na Pampulha, o maestro, lembrando-se do famoso discurso, começou a apresentar ao governador os instrumentos da orquestra. Até chegar na fatídica cuíca. E assim falou: “E esta, senhor governador, é a célebre cuíca”. Ao que Benedito, querendo dar o troco, redarguiu com inteira convicção: “Não caio mais nessa não. Isto é quiçá!”

Acidente horrível

Conhecido comerciante e chefe político das antigas, no fundo do Vale do Paraíba, era completamente analfabeto, mas não perdia a pose. Sentado à porta de seu armazém, ele folheava o jornal do dia aparentando interesse por tudo. De repente, chamou alguém que passava por ali e lhe mostrou o jornal: “Veja que acidente horrível!”. Era só um anúncio de venda de caminhão numa página de ponta cabeça. O passante olhou e concordou. Para não perder o amigo.

Arame farpado

Com a chegada do Mobral ao lugarejo onde morava, o dito chefe político finalmente aprendeu a decifrar as primeiras letras e, juntá-las para formar palavras. E gostava de mostrar a todos que sabia ler. Solene, pegava o jornal e lia, em voz alta, cada linha, do começo até o fim da página. Um amigo ousou corrigi-lo: “Coronel, o senhor precisa respeitar as colunas”. A reação veio rápida: “Rapaz, eu nunca respeitei nem cerca de arame farpado; você acha que vou respeitar fiozinho preto em folha de papel?”

Tem uma boa história do folclore político para contar? Então envie para : darwin@odiariodemogi.com.br


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