Folclore Político (CLIII) Churrascada sem votos

Waldemar levou Beraldo para buscar votos no reduto de Tarcísio. Não deu certo

A história me foi contada, tempos atrás, por João Pedro de Miranda e merece ser relembrada. Tratava-se de um causo, no mínimo curioso, envolvendo o pai dele, Luiz Beraldo de Miranda, e outros políticos dos anos 70 em Mogi. Na segunda campanha à Prefeitura de Mogi, Waldemar Costa Filho, muito amigo de Beraldo, se dispôs a ajudá-lo na campanha à reeleição para a Câmara Municipal. O vereador geralmente se elegia com os votos do centro de Mogi. Para tanto, bastava que as urnas, instaladas no Grupo Escolar Coronel Almeida fossem apuradas. E sua eleição estava garantida. Já o vereador Tarcísio Damásio costumava se eleger com os votos do distrito de Braz Cubas. Waldemar, com ajuda de um influente amigo residente no distrito, resolveu marcar uma reunião para apresentar Beraldo aos eleitores e arrancar para ele alguns votos daquela localidade. Como de praxe, à época, marcaram uma reunião regada a churrasco e bebidas. Tudo por conta do amigo de Waldemar. Ela compareceram cerca de 200 pessoas. E todas, na ocasião, após discursos, elogios e etc, se comprometeram a votar em Luiz Beraldo para vereador. No dia da apuração, no entanto, abertas as urnas do colégio eleitoral de Braz Cubas, o candidato não teve nem mesmo um dos 200 votos prometidos. E o vereador Tarcísio recebeu quase a maioria dos votos do distrito. Conclusão: Luiz Beraldo continuou a se eleger vereador com os votos do centro de Mogi, enquanto Tarcísio Damásio continuou se elegendo com os votos de Braz Cubas. O churrasco não surtiu efeito na campanha.

Mistério do bidê

Entre os funcionários mais antigos da Prefeitura de Mogi persiste uma dúvida jamais esclarecida: o que teria levado o prefeito Manoel Bezerra de Melo, logo que assumiu o cargo, após a morte de Chico Nogueira, a exigir que fosse instalado, no banheiro do gabinete, um bidê de cor amarelo-ouro. Assessores diretos contam que tiveram de revirar as lojas de materiais de construção da Capital para satisfazerem a exigência do novo chefe.

Em campanha

Discreto ao extremo, o vereador Pedro Komura acompanhava, silencioso, a entrevista que o candidato a senador, Mário Covas Neto, concedia a este jornal, na campanha de 2018. A certa altura, quando já se preparava para sair, Covas Neto foi provocado pelo repórter sobre as qualidades de seu cicerone na cidade. O visitante concordou, fez elogios a Komura, mas atalhou: “Ele só não gosta muito de falar.” E, enquanto Komura apenas sorria, Covas emendou: “Em compensação, presta uma atenção…”

Disputas

Na disputa pelo Governo de São Paulo contra Adhemar de Barros, o do “rouba, mas faz”, Jânio Quadros exibia um rato morto nos palanques, comparando-o ao seu adversário. Adhemar engolia calado: sua mulher, muito religiosa, pedia para ele não ceder à baixaria. Mas um dia, Adhemar perdeu a paciência. Ao ser anunciado num comício saudou a todos, polidamente, voltou-se para a esposa, pediu-lhe licença, beijou um terço e, vermelho de raiva, explodiu: “Esse Jânio é um filho da p…! Mais que isso, é um… e xingou o adversário com todos os palavrões que aprendeu na vida.

Vingança

Em Mogi, não houve xingamentos públicos, mas logo que se reelegeu, em 1988, o prefeito Waldemar Costa Filho surpreendeu quem visitava seu gabinete com uma gaiola, onde aprisionou um exemplar de hamster. O que mais chamava a atenção era a denominação dada por ele ao bichinho: Lime. Só os mais próximos descobriram que se tratava de um anagrama que remetia a um ex-assessor de Machado Teixeira, seu antecessor na Prefeitura. Foi a forma encontrada para classificar o adversário político como rato, sem correr o risco de levar um processo no lombo.

Tem uma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

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