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Folclore Político (CLII) Café em campanhas

Na corrida pelo voto, é preciso engolir sapos e até outros bichos

Com a aproximação do período das campanhas políticas e as inevitáveis visitas às casas de eleitores – este ano reduzidas em razão da pandemia – vale lembrar a história vivida por Sérgio Picolomini, o Picô, quando integrava a equipe de campanha de seu cunhado, o então candidato a prefeito Marco Bertaiolli. Certo dia, o grupo foi visitar um cabo eleitoral de grande prestígio num dos bairros da Divisa. A conversa corria solta e animada, no interior da cozinha, onde a dona da casa preparava o indispensável café para os visitantes ilustres. Assim como alguns outros, Picô notou que enquanto adoçava o café recém-coado, a mulher levava à boca a mesma colher que usava para mexer o açúcar no bule. O sistema de prova repetiu-se algumas vezes, com a colher saindo da boca diretamente para o recipiente do café. O rapaz, porém, só veio a sentir realmente o significado daquele nada higiênico ritual quando uma caneca cheia da bebida recém-coada chegou às suas mãos, ainda fumegante. Os mais próximos logo notaram sua dificuldade diante daquele presente que, por norma de campanha, nunca pode ser rejeitado. Enquanto os amigos continuavam a conversa com os eleitores, Picô deu um jeito e foi até o quintal, onde despejou o café, voltando com a caneca já esvaziada. Bertaiolli notou a estratégia do cunhado e não perdeu tempo. Virando-se para a dona da casa,lhe disse, empolgado: “Olha só, o Picô gostou tanto do café que já tomou o dele. A senhora não quer pôr mais um pouquinho pra ele, que bebeu tão rápido!?!?”. Orgulhosa, a mulher voltou a encher a caneca que o rapaz, mesmo com certa dificuldade, se viu obrigado a tomar, diante de todos.

Ficou barato

Situação pior que essa viveu o vereador Antonio Lino, que numa visita a eleitores, nos fundos do Jardim Aeroporto, também recebeu uma caneca de café. E quando foi levá-la à boca, notou que uma baratinha, já morta, boiava por cima do líquido. O candidato em campanha se viu numa verdadeira sinuca de bico: agir com naturalidade, ou rejeitar o café e perder os votos da família. A primeira hipótese prevaleceu e, mesmo com alguma indisposição, Lino engoliu o café mais difícil de toda sua vida.

No Fórum

Antes de sediar um foro distrital, Salesópolis resolvia suas pendengas judiciais em Santa Branca. Conta um advogado mogiano que, certa tarde, um júri estava prestes a começar quando o juiz notou que o réu não tinha advogado de defesa. “O senhor não tem advogado?”, indagou a autoridade. “Tenho sim, doutor juiz, meu advogado é Deus”. E o magistrado: “Esse não serve. Não é inscrito na OAB.”

Montaria

Sebastião Nery conta que Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim. O promotor berrava: “ Senhores jurados, eu estou montado na lei!”. Quintino pediu aparte: “lV.Excia. Tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.” O promotor se calou.

Maldição

O episódio do Mogigate, uma denúncia de corrupção envolvendo políticos de Mogi e um empresário de ônibus da Capital, no final dos anos 80, deixou Mogi fora do mapa das obras do governo estadual, à época dirigido por Franco Montoro. Mesmo não querendo nem ouvir falar no nome da cidade, o governador topou receber um grupo de peemedebistas locais, liderado por Cuco Pereira. Montoro entrou na sala parecendo já querer sair, mas dizendo que havia beneficiado Mogi com muitas obras. “Traz a pasta de Mogi!” – ordenou ao ajudante. Na pasta constava só uma ajuda para um grupo de teatro se apresentar na cidade. Sem jeito, Montoro prometeu tudo. E não fez nada. A maldição do Mogigate falou mais alto.

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