TEATRO

Folclore e consciência ambiental em cena

REFLEXÃO A montagem trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio de mitos e seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. (Foto: divulgação)
REFLEXÃO A montagem trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio de mitos e seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. (Foto: divulgação)

Na tarde deste sábado a Secretaria Municipal de Cultura vai transmitir, via Facebook, uma peça teatral que usa da linguagem poética para que o público entenda a importância do folclore e dos rios brasileiros. ‘Água Doce’, o espetáculo, vem acompanhado de uma live com bate-papo e também de oficinas premiadas pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC).

A montagem trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio de mitos e seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. Uma das alegorias é Iara, que vive exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) e que observa como a inveja e a ganância podem fazer mal à natureza.

O enredo traz à tona ainda córregos e nascentes que foram esquecidos pela urbanização nas cidades. Enquanto faz isso, a Cia. da Tribo também se volta para a cultura popular em diálogo com a contemporaneidade, apresentando lendas e personagens brasileiros como a já citada Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu; Cobra Grande e muitos outros.

Em março, a agenda ‘Água Doce Deságua nas Cidades de São Paulo’ chegou a ser realizada presencialmente, mas foi interrompida pela pandemia do novo coronavírus. Agora, cinco meses mais tarde, o projeto foi remodelado para atingir as 10 cidades que faltaram, o que inclui Mogi das Cruzes, em formato online e totalmente gratuito.

Muitas dessas apresentações presenciais ocorreram em espaços próximos ou exatamente localizados acima de rios soterrados, algo que não é por acaso. “Com este trabalho pretendemos lançar um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências culturais”, afirmam Milene Perez e Wanderley Piras, os diretores da Cia. Da Tribo.

Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força quando a dupla, ao realizar uma aula de artes para crianças em um parque, ouviu um aluno dizer que ouvia som de água corrente. Os professores levantaram uma tampa de bueiro e descobriram, junto com a turma, que abaixo deles corria um rio.

“Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes”, conta a gestora.

A partir dessa experiência, a Cia. da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho. Os bonecos, que representam figuras folclóricas, foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Eles chamam tanta atenção que costumamos deixa-los à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre”, diz Milene.

Além da live com o bate-papo e espetáculo, que será às 14 horas deste sábado pela página Cultura Mogi, o projeto oferece oficinas gratuitas de dança, música, teatro e construção de bonecos que será realizada ao vivo para até 10 participantes e ainda uma série de animações do espetáculo, falando um pouco mais de cada personagem. Em Mogi, as oficinas estão programadas para o próximo dia 29, entre as 10 e às 17 horas.


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