EDITORIAL

Faça o que digo…

Enquanto o visitante do Parque Centenário é recebido por funcionários que medem a temperatura e oferecem álcool gel, o mesmo não tem acontecido no Mercado Municipal, onde a decisão de verificar a existência de algum quadro febril entre os frequentadores aconteceu somente após uma sugestão feita pelo leitor de O Diário, o professor Paulo Reis, na seção de Cartas.

Nos últimos dias, em diferentes horários, a medição da temperatura não ocorria. Em uma oportunidade, quando os funcionários foram indagados, a resposta foi: se o visitante quisesse, a checagem seria feita. Em outra, a informação era de que o aparelho estava sem funcionar. Ou seja, se opera, esse sistema é frágil.

Parece algo menor, mas não é. Na atual fase do Plano São Paulo, os indicadores mostram recuo nas taxas de contaminação, porém, vítimas morrem diariamente na cidade por causa da Covid-19.

Que diferença faz o zelo com a saúde das pessoas na porta do Mercadão? Muita. Quem chega ao Parque Centenário e é recebido como deve ser, com prevenção, se sente um pouco mais seguro para permanecer naquele espaço. Entende a gravidade do momento.

Mais ainda: acredita no governo municipal. Pensa que a prefeitura age como fala..

Mesmo com a aceleração da flexibilização do isolamento social baseada em dados oficiais, que precisamos confiar porque essa é a única fonte de informações que dispomos sobre óbitos e contaminações, note que nas entrevistas do secretário de saúde, ou do prefeito Marcos Melo, um mesmo alerta sobressai entre as falas. A prevenção é fundamental porque a circulação do vírus permanece na atmosfera.

A ameaça à saúde pública persistirá até a descoberta da vacina e a imunização em massa, com sucesso.

Usamos o exemplo do Mercadão e do Parque Centenário para falar, na verdade, sobre algo que começa a se cristalizar com a manutenção dos atuais padrões da doença e a possibilidade, em algumas semanas, de a cidade chegar à fase verde, e, então, poder reabrir as escolas.

Não entramos, aqui, no mérito do “se” é realmente hora para isso, ou não. A pandemia tem relógio próprio. Apenas, queremos alertamos ao poder público e à sociedade organizada sobre o desafio lançado quando toda a rede municipal e estadual de ensino for reaberta.

Quando as aulas começarem, protocolos não poderão ser rompidos porque estará em cena a proteção do principal bem de uma cidade: o cidadão do futuro. Ao se olhar para o que está acontecendo por agora, em Mogi, tememos muito por esse futuro.


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