DECISÃO

Estado descarta instalação de heliponto no Hospital Luzia de Pinho Melo

Hospital Luzia de Pinho Melo teve todos os leitos de UTI para a Covid-19 em uso esta semana. (Foto: Arquivo)
ANTIGO Há anos, lideranças reivindicam a instalação de um heliponto no Hospital Luzia de Pinho Melo para agilizar resgates aéreos. (Foto: arquivo)

Dificuldades técnicas e financeiras inviabilizam, hoje, a instalação de um heliponto no Hospital das Clínica Luzia de Pinho Melo, no Mogilar. O alto custo e as condições inadequadas do prédio construído na década de 1970 como a falta de espaço e de estrutura para receber as seis toneladas de uma aeronave no topo do segundo pavimento são os argumentos para a decisão, segundo o arquiteto Adhemar Dizioli Fernandes, responsável pela Coordenadoria Geral de Administração do Grupo de Gerenciamento de Atividades de Suprimentos e Infraestrutura da Secretaria de Estado da Saúde.

Na noite de sexta-feira, ele concedeu uma entrevista a O Diário, antecipando os resultados de uma vistoria feita por técnicos no interior do Luzia de Pinho Melo no mês passado, justamente para responder a um antigo pedido de autoridades e representantes do setor de resgate de pacientes em situação de emergência de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê. O Luzia é referência para o atendimento de emergência a vítimas de acidentes e de traumas graves na Região com 1,5 milhão de habitantes.

Fernandes atua em setores ligados a obras da secretaria estadual de Saúde desde 1985, e acompanhou indiretamente o processo de desapropriação do prédio do Hospital Luzia de Pinho Melo, ocorrida em maio de 1989. O esqueleto do Luzia começou a ser construído pelo ex-prefeito Manoel Bezerra de Melo para se transformar no hospital-escola da Universidade de Mogi das Cruzes, da qual ele é chanceler até hoje.

“Temos problemas com a falta de espaço para a instalação de um ponto de pouso no chão porque ocupamos a maior parte do espaço livre do prédio para a construção do Centro de Oncologia, que oferece os serviços de quimioterapia e radioterapia. Hoje, o local que nos resta é usado para estacionamento, e teríamos dificuldades de obter a autorização da Anac (Associção Nacional de Aviação Civil) porque o perímetro existente ali poderia inviabilizar itens exigidos como a área para a aproximação da aeronave”, explicou.

A segunda alternativa, a instalação do heliponto no topo do prédio, exigiria uma obra mais complexa, estimada por Fernandes, em cerca de R$ 15 milhões. O primeiro senão lançado pelo diretor é o fato de a cobertura do prédio não ter sido construída para suportar o peso de cerca de 6 toneladas de uma aeronave.

Nesse local, o ponto de pouso, adverte ele, exigiria obras e modificações internas para permitir o rápido e eficiente transporte do paciente pelo interior do hospital até o centro cirúrgico, hoje instalado no primeiro piso do hospital. Teria de ser construída uma outra base de concreto para o recebimento dos pousos.

“Além desses fatores, ainda há questões como a existência de prédios altos e residenciais no entorno do hospital, o que demandaria a adequação do ponto às normas da Anac para a descida de um helicóptero”, acrescenta.

Por esses motivos, definiu ele, “a Secretaria optou, no momento, por não tocar em frente esse projeto. Não digo que ele está encerrado porque determinei a realização de um estudo embasado nas exigências da Anac, mas os pareceres iniciais mostram que a construção de uma nova base, instalação de um novo elevador, para o transporte do paciente ao centro cirúrgico, são de um custo altíssimo para uma demanda que está bem atendida, atualmente, com os pousos feitos no Corpo de Bombeiros e o transporte do paciente até o Luzia de Pinho Melo, em um período de sete minutos, em média”.

Questionado que engenharia possui meios para vencer essas barreiras, ele arguiu: “claro que há, mais a um custo elevadíssimo”.

Fernandes afirmou que os relatos de diretores e técnicos do hospital mogiano dão conta de que o modelo atual – com o resgate de pacientes por via aérea fazendo uma parada no Corpo de Bombeiros, no Shangai, e o restante do trajeto sendo feito por uma ambulância, via terrestre, até o Luzia – “acontece em um tempo razoável para salvar a vida dos resgatados”.

O responsável técnico disse por mais de uma vez que em resgates emergenciais, os pilotos de helicóptero podem parar em uma rua, se houver condições para isso.

Também apontou que esse é o posicionamento técnico sobre a reivindicação. “Veja bem, seria um investimento muito alto, eu diria que exageradamente alto, para uma intervenção em uma questão que, com o que temos hoje, está sob controle, em um hospital que tem uma demanda enorme em outros setores, como o centro cirúrgico e o pronto-socorro, que poderiam ser melhorados para atender os pacientes com um recurso financeiro desse porte”, concluiu.

Novos projetos já nascem com ponto de pouso

O Governo do Estado possui 120 hospitais públicos e não realiza atualmente em nenhum deles, obra para a instalação de heliponto. Já os novos, de alta complexidade, como os de Caraguatatuba, no Litoral, e de Registro, saem da planta com o equipamento que permite maior agilidade no resgate de pacientes em situação de risco de morte.

“O bom do heliponto é quando ele nasce com o projeto; a adaptação, requer mudanças internas e caras para a rede de saúde que busca investir nas demandas necessárias como foi o caso recente no Luzia de Pinho Melo, onde passamos a oferecer a quimioterapia e a radioterapia”, acrescentou Adhemar Dizioli Fernandes, coordenador geral de Administração da Secretaria de Estado da Saúde.

Ele contou ainda que não há planos de se ampliar os andares do Hospital Luzia de Pinho Melo planejado para ter seis pisos. (E.J.)


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