SAÚDE

Estado admite não ampliar leitos hospitalares no Alto Tietê

MUDANÇAS A abertura de 60 leitos, sendo 30 de UTI, no hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, foi anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde aos prefeitos, em reunião do Condemat, em maio. (Foto: arquivo)

Pela primeira vez, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que os planos de ampliação dos leitos em hospitais do Alto Tietê, e em particular, do Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalvanti, em Mogi das Cruzes, poderão ser abandonados. A instalação de mais vagas para internação em enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus foi acordada em maio, com as prefeituras e o Ministério Público Federal, e um prazo para execução previsto para até 30 de junho. Porém, agora, o Governo do Estado garante que o monitoramento dos casos mostra que região possui condições hospilares para atender a atual demanda. Mudanças, nesse cenário, apenas acontecerão “se necessário”, segundo resposta encaminhada a este jornal.

O posicionamento foi dado na noite de segunda-feira, quando a suspensão da inauguração da entrega das novas vagas do Hospital das Clínicas Auxiliar, de Suzano, surpreendeu os prefeitos do bloco regional, que aguardavam a melhoria da estrutura hospitalar para avançar nas fases do Plano São Paulo, que determina a retomada das atividades sociais e comerciais a partir da classificação dada às cidades.

Em resposta a O Diário, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que monitora o “cenário da Covid-19 em São Paulo e as necessidades de ampliação de leitos para assistência aos pacientes com a doença”. Destaca que os serviços públicos do Alto Tietê contam com 411 leitos públicos, e, se necessário, “mais vagas serão ativadas neste semestre, em endereços como o Centro Especializado em Reabilitação Arnaldo Pezzuti Cavalcanti”, localizado em Jundiapeba.

Nas últimas semanas, neste hospital, algumas providências começaram a ser tomadas no prédio destinado a receber, anteriormente, vagas para a clínica destinada à dependência química e psiquiatria, para o recebimento das 60 camas e equipamentos de enfermaria e UTI.

Diante dessa resposta, a Secretaria caminha para suspender os planos, caso o quadro epidemiológico da Covid-19 siga a tendência de estabilização e queda dos registros.

Apesar de ter sido questionado, o Governo do Estado não comenta a promessa de ampliar em 150 vagas o HC de Suzano e do Dr. Arnaldo, feita pelo secretário estadual José Henrique Germann em uma reunião em maio, aos prefeitos e secretários municipais de Saúde do Alto Tietê e o procurador Guilherme Rocha Göpfert, do Ministério Público de São Paulo. Desse pacote, há a previsão confirmada, até agora, apenas da abertura gradual de 20 vagas no HC de Suzano.

Na sustenção do posicionamento, o Estado detalha o total de leitos disponíveis em cada um dos hospitais para a Covid-19, e a ocupação registrada segunda-feira última. No Alto Tietê, essa taxa, naquele dia, foi de 63%, sendo que o Hospital Santa Marcelina seguia com a situação mais vulnerável.

A unidade apresentou o maior índice de ocupação regional. Nos 62 leitos disponíveis, 95% estavam sendo usados. Ali, são 22 vagas de UTI e 40 de enfermaria.

Desde a semana passada, a capacidade do Santa Marcelina flerta com a exaustão. Apesar disso, a Secretaria reforçou que “essas taxas variam no decorrer do dia, em virtude de fatores como altas ou transferências para enfermarias, por exemplo”.

No Mogilar, em Mogi das Cruzes, o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo registra um quadro mais confortável, com pacientes em pouco mais da metade da estrutura, 55%. No local são 55 leitos específicos para a nova doença (22 de UTI e 33 de enfermaria).

O recuo na demanda por enfermaria e UTI leva o Estado a defender que “há condições de assistir os pacientes”, e acrescentar: “a pasta mantém um esquema especial de gestão de leitos hospitalares, para dar prioridade à internação de pacientes com quadros respiratórios agudos e graves, com suporte da Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) para as transferências”.

Do total de R$ 300 milhões investidos no enfrentamento da Covid-19 nas cidades paulistas, R$ 34,9 milhões foram utilizados no Alto Tietê, segundo o governo estadual.

Apesar dessa argumentação, o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) segue pressionando pelo cumprimento das promessas feitas aos prefeitos e a deputados, como o federal, Marco Bertaiolli. Inclusive para o envio e instalação de respiradores, o que já aliviaria as condições de atendimento no Hospital Santa Marcelina.

Estado nega internação de doentes de Campinas

Silvia Chimello

Os comentários que circularam desde o início da semana, inclusive pelas redes sociais, sobre a transferência de 60 pacientes com Covid-19 da cidade de Campinas para o Hospital Dr Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Mogi das Cruzes, foram descartados pela Secretaria Estadual de Saúde. A Prefeitura e os funcionários da unidade afirmaram que não houve essa transferência.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) afirma que a notícia é “fake”, mais uma entre tantas outras que vem sendo propagadas durante a pandemia. O Governo do Estado alega que o Dr Arnaldo, retaguarda para pacientes com doenças crônicas, localizado em Jundiapeba, não têm leitos preparados para receber pacientes com o novo coronavírus.

Porém, essa é uma providência que o prefeito está esperando para melhorar os indicadores da região na classificação no Plano São Paulo. O Estado se comprometeu em abrir 60 vagas para Covid-19 no Dr Arnaldo e outras para o Hospital das Clínicas Auxiliar de Suzano, o que também ainda não aconteceu.

Em Suzano, o compromisso em maio era para 90 leitos – 10 UTI e 80 para enfermaria. Depois, esse número foi reduzido para 10 vagas de UTI e 30 de clínica médica. A última informação é de que serão apenas leitos de enfermaria, entre dez e 20.

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) informou que até a tarde de ontem não tinha recebido uma resposta sobre o oficio encaminhado na segunda-feira à Secretaria de Estado da Saúde cobrando a atualização do cronograma de implantação dos leitos Covid-19 nos hospitais. Questionou ainda as informações as promessas de ampliar a capacidade do Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, que ontem estava com 92% de ocupação de UTI, o que pode colocar em risco a mudança regional da fase laranja para a amarela no programa estadual de flexibilização da economia.

O Condemat protocolou, no Ministério Público Federal (MPF), uma solicitação para que o órgão acompanhamento da execução dos compromissos assumidos pelo Governo do Estado para a ampliação da capacidade hospitalar do Alto Tietê.


Deixe seu comentário