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HERANÇA NO TATAME

Tradição no judô mogiano, Sethiro Namie vê sua história revivida pelo filho, Paulino

Carla OlivoPublicado em 01/04/2021 às 14:39Atualizado em 03/04/2021 às 08:08
Foto: divulgação
Foto: divulgação

“Não importa quantas vezes você cair, o importante é levantar e seguir em frente”. A frase repetida por Sethiro Namie, 89 anos, e seu filho, Paulino, 61, em um dos ensinamentos do judô, norteia a filosofia de vida seguida e transmitida aos milhares de alunos que eles já iniciaram na milenar arte marcial.  

Disciplina, respeito, concentração, equilíbrio físico e mental, autoconfiança, coragem, entre outros princípios e regras do tatame estão presentes no dia a dia das duas gerações da família Namie inscritas na história do judô em Mogi.

A ligação do patriarca, Sethiro, com a arte marcial teve início aos 17 anos. Filho de imigrantes japoneses e nascido em Sete Barras, no litoral paulista, ele chegou a Mogi aos 16 anos, quando o pai veio trabalhar no Casarão do Chá, no bairro do Cocuera. 

No início, Sethiro treinava ao lado dos irmãos mais novos, Kendi e Osvaldo e com outros alunos de origem ou descendência japonesa. Aos 21 anos, já era faixa preta.

“Como havia a academia de judô na Associação do Cocuera, eu comecei a fazer aulas lá e a disputar campeonatos”, conta ele que, anos depois, foi um dos funadores da 17ª Delegacia Regional da Confederação Paulista de Judô.

A prática da modalidade era conciliada com o trabalho no campo, na plantação de chá e na fábrica comandada pela família.

Passado o auge do cultivo do chá na cidade, a produção que funcionava no histórico casarão foi encerrada e Namie passou a ajudar a família no plantio de verduras, mas não deixou o judô de lado e nem mesmo as aulas destinadas à formação de novos adeptos da arte marcial.

“Todos os meus filhos praticaram judô e, dos quatro, cinco são faixa preta. Os 12 netos também passaram pelo judô, inclusive as meninas. Isso foi importante porque os ensinamentos são para a vida toda. É uma disciplina que forma cidadãos do bem e deve ser seguida em todos os momentos, não apenas no esporte”, ensina o mestre Sethiro.

Ele não esconde o orgulho de ver seus passos seguidos por Paulino. “Ainda bem que ele, além de praticar o judô e disputar campeonatos, também se dedica a formar alunos. É importante preparar as próximas gerações”, avalia o sexto dan.

Os filhos Durval e Carlos também são faixa preta, mas foram os gêmeos idênticos Paulino e Ricardo que representaram Mogi das Cruzes nos Jogos Regionais e Abertos, com destaque das categorias leve e meio-leve, durante vários anos.

Este é mais um motivo de orgulho para Sethiro, que também atribui ao judô e às atividades na Associação dos Agricultores de Cocuera a conquista da cadeira de vereador que ocupou durante 24 anos na Câmara de Mogi. 

“Depois dos 50 anos de idade e cada vez com mais atividades na Câmara Municipal, fui deixando de treinar e, hoje, com quase 90, só faço caminhadas. Mas admiro muito o judô, porque ele tem um significado importante para todos os que por ele passam e, dificilmente, uma pessoa que tenha praticado, não sabe o que fazer diante das situações da vida”, considera o eterno sensei.

Tal pai, tal filho

Aos 7 anos, Paulino aprendeu as primeiras lições do judô, por iniciativa do pai, Sethiro Namie, na época um dos professores da Associação dos Agricultores de Cocuera. Com 9, disputava campeonatos e, aos 17, tornou-se faixa preta e passou a lecionar. 

Formou-se em Educação Física na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), iniciou a careira como professor da disciplina na Prefeitura Municipal e, em 1982, assumiu o lugar do pai no comando das aulas de judô no antigo Centro Esportivo do Socorro, onde ficou até se aposentar, em 2019. 

Há 30 anos, é técnico da equipe de judô de Mogi e, por uma década, foi diretor da Federação Paulista de Judô. “O orgulho é meu de ter seguido o trabalho do meu pai. Devo tudo que sei a ele, que sempre me incentivou. Toda a família praticou judô, mas meus irmãos seguiram outras profissões e eu fiquei”, conta o sétimo dan, que disputou 40 campeonatos brasileiros, além de sulamericanos, panamericanos e torneio na África. Assim como o pai, ele iniciou as filhas Renata, Letícia e Camila no judô e formou cerca de 3 mil alunos em 30 anos de trabalho. 

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