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LEGADO DE OURO

Relembre a trajetória de Leandro Lo, que já deu aulas em Mogi

Confira o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o crime

O Diário
13/08/2022 às 08:00.
Atualizado em 13/08/2022 às 08:00

(Foto: reprodução)

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LEGADO DE OURO

Relembre a trajetória de Leandro Lo, que já deu aulas em Mogi

Confira o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o crime

O Diário
13/08/2022 às 08:00.
Atualizado em 13/08/2022 às 08:00

(Foto: reprodução)

O lutador Leandro Lo deixou vasto legado no mundo do jiu-jitsu. Ele foi campeão mundial em quatro categorias diferentes – leve, médio, meio-pesado e absoluto, somando oito títulos. Também deixou sua marca em Mogi das Cruzes, onde deu aulas. Já chegou a dizer que “não conseguia se afastar da cidade”, já que aqui fez amigos e encontrou sustento para continuar sua paixão. 

O octacampeão mundial foi morto com tiros na cabeça na madrugada do último domingo (7), durante um show na zona sul da capital paulista. O Diário apresenta nesta reportagem o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o crime, que teve grande repercussão internacional. 

Em entrevista ao Portal GE de 2013, quando ainda era bi-campeão mundial, Lo contou que esteve perto de desistir do esporte - uma verdadeira paixão para ele, aos 18 anos. A salvação da carreira ocorreu em Mogi das Cruzes.

Isso porque ele conseguiu emprego dando aulas em uma academia da cidade, no distrito de Braz Cubas. 

“Isso me ajudou a continuar, pois chegou nos 18 anos eu não tinha trabalho. Como meus pais são separados, eu não recebia mais a pensão e minha mãe não tinha condições de me ajudar mais. Eu precisava trabalhar para conseguir dinheiro. Cheguei a pensar em parar, mas o Kleber (proprietário da academia) me ofereceu um salário e já estou aqui há seis anos”, contou na época. 

Com o dinheiro recebido para dar aulas de jiu-jitsu, ele continuou em contato com o esporte. 

Lo era de São Paulo. Viajava cerca de 1h30 para chegar à cidade - que tem vasta tradição no mundo das lutas e artes marciais. Tinha turmas duas vezes por semana.

Na entrevista, destacou o carinho pelos alunos e a cidade. “Quero continuar aqui, já que tenho diversos alunos que são meus amigos, o dono da academia também é um grande amigo e não consigo ficar longe de Mogi das Cruzes”, disse na ocasião para o portal. 

As aulas na cidade continuaram por mais alguns anos, enquanto ele foi ganhando mais fama no cenário internacional. 

O empresário Thiago Costa conta ter sido um dos alunos de Lo. “Recebemos a notícia da morte dele com muita tristeza. Difícil entender como alguém quis brigar com ele, que sempre nos tratou muito bem”, disse a O Diário

Personalidades de Mogi lamentaram a morte do lutador.

“É um dia de profundo pesar para o mundo das lutas”, comentou o presidente da Câmara de Mogi das Cruzes, o vereador Marcos Furlan (PODE) - sensei de karatê kyokushin na cidade –, em postagem nas redes sociais que citam a passagem de Lo por Mogi, onde “compartilhou um pouco da sua técnica”.

“Leandro Lo, uma lenda do jiu-jitsu brasileiro, teve sua vida ceifada covardemente”, trouxe a postagem do prefeito Caio Cunha (PODE). “Seu legado será sempre lembrado. Descanse em paz”, finalizou.

O crime

A Polícia de São Paulo investiga o assassinato de Leandro Lo do Nascimento Pereira, de 30 anos. 

O octacampeão mundial de jiu-jitsu foi morto com tiros na cabeça na madrugada de domingo (7), durante um show do Pixote, no Clube Sírio, em Indianópolis, na zona sul da capital paulista.

Embora ainda tivesse sinais vitais, Leandro teve a morte cerebral detectada no mesmo dia, no Hospital Saboya, para onde foi levado. 

No funeral, lutadores apareceram de quimono em sua homenagem.

Legado

O currículo de Leandro sinaliza o tamanho da perda. O brasileiro de 33 anos foi oito vezes campeão mundial de jiu-jitsu em cinco categorias diferentes. Ele conquistou cinco Copas do Mundo da modalidade e ainda ganhou oito Pan-americanos do esporte.
Leandro era conhecido não só por sua técnica, mas também pela postura esportiva. No Mundial de 2018, ele se sagrou campeão absoluto depois que seu adversário na final, Marcus Buchecha, abriu mão do título porque Lo não tinha condições de lutar (ele lesionara o ombro na decisão do super pesado, disputada antes).

Na edição seguinte, em 2019, o destino colocou os dois novamente na luta decisiva. Mas, como forma de retribuição pelo gesto do ano anterior, Leandro abdicou de disputar a final para que Buchecha ficasse com o título do absoluto.

Como foi o crime?

De acordo com informações do boletim de ocorrência, Henrique Otávio Oliveira Velozo, tenente da Polícia Militar de São Paulo, foi até a mesa em que Lo estava com cinco amigos, pegou uma garrafa em cima da mesa, chacoalhou e fez insinuações.
Em ato contínuo, tentou sair com a bebida na mão, quando Leandro o imobilizou, o deixou no chão e pegou a garrafa de volta. O lutador, de acordo com testemunhas, pediu para que o homem fosse embora. Logo depois, Henrique Velozo voltou e atirou contra a vítima por duas vezes. Além dos disparos, o policial chutou Leandro Lo no chão, mesmo com o lutador desacordado.

O acusado foi preso?

Sim. Henrique Velozo se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo no domingo (7) e foi conduzido a uma delegacia, onde prestou depoimento. Após audiência de custódia, a Justiça determinou a prisão temporária de 30 dias do tenente. Ele está no presídio Romão Gomes, no Jardim Tremembé, na zona norte de São Paulo.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), em nota enviada a O Globo, o policial militar foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil. O caso segue em investigação no 16° DP, na Vila Clementino

Quem era o assassino?

Henrique Otávio Oliveira Velozo era tenente da Polícia Militar de São Paulo. No ano passado, foi condenado por agressão e desacato à autoridade na boate The Week, na Lapa, zona oeste da capital paulista. O caso ocorreu em 2017. Na ocasião, com sinais de embriaguez, ele desferiu socos e ofensas ao soldado Flávio Alves Ferreira. Aos 30 anos, ele também praticava jiu-jitsu e é faixa roxa na arte marcial. Com a repercussão do caso, Velozo apagou perfis nas redes sociais antes de se entregar à Corregedoria.
Henrique Velozo idealizou um projeto para prevenção de crimes contra as mulheres. O curso, chamado “Segunda Força - a hora da mudança!”, foi desenvolvido em parceria com a Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo e divulgado a partir de dezembro de 2019. A ideia era ministrar aulas de defesa pessoal e inteligência emocional das mulheres.

Policial de folga pode portar arma?
Sim. A Lei Federal nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, define o porte de arma de fogo como inerente à função de policial militar. Por isso, em serviço ou não, a arma visa a segurança do próprio policial e dos demais cidadãos. Quando está de folga, o policial segue com suas atribuições, portanto, não há impedimento para adentrar ou permanecer armado em locais de aglomeração de pessoas. A indicação em forma de restrição é apenas a discrição da arma.

O que falta esclarecer sobre o crime?

A Polícia ainda investiga a motivação do crime. A investigação corre em sigilo de Justiça, e as famílias de Leandro Lo e do acusado, Henrique Velozo, pediram a seus advogados que evitem entrevistas por enquanto.

A mãe de Leandro, Fátima Lo, acredita que o crime foi premeditado, e que Henrique Velozo foi ao local do assassinato já com a intenção de matar o octacampeão mundial de jiu-jitsu. 

“Ele era a alegria em pessoa e uma pessoa que fez isso com ele... E a pessoa conhecia ele, porque era do jiu-jitsu também, e acabou acontecendo. A pessoa já foi para isso, com certeza já foi pra isso, só que a gente não sabe o porquê”, falou Fátima Lo à TV Globo. “Não tem explicação a forma estúpida que aconteceu. Porque ele provocou uma confusão gente, justamente para o Leandro reagir e nessa ele tirou a vida do meu filho”, disse

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