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“JOGA JUNTO MOGI”

"No fundo do poço”, basquete mogiano terá restruturação radical e novo projeto de bases

O projeto “Joga Junto Mogi” foi divulgado na tarde desta quarta-feira e deverá criar novas categorias de base no basquete; Com salários atrasados, Guerrinha confirmou nas redes sociais que não estará com o time na próxima temporada

Fábio PalodettePublicado em 02/06/2021 às 16:22Atualizado há 21 dias
Foto: divulgação / PMMC
Foto: divulgação / PMMC

A Secretaria Municipal de Esportes de Mogi das Cruzes (Smel) anunciou na tarde desta quarta-feira (2), o projeto “Joga Junto Mogi” - ainda na fase de planejamento – que deverá, entre outras metas, criar categorias de base formativas em parceria e de forma integrada com o time Mogi Basquete. A ideia é aproximar e profissionalizar os mais jovens com a modalidade, beneficiando também o elenco principal do Mogi, além de reunir outras iniciativas que aproximariam o esporte do público mais novo. As medidas devem ser implementadas até 2022. 

Em paralelo, uma série de mudanças radicais devem ocorrer no Mogi Basquete, após a gestão entender que é o começo de um novo ciclo onde são necessários plantar os frutos. O técnico Guerrinha anunciou no mesmo dia que não foi procurado para ter o contrato com o time renovado e que não será o técnico do Mogi Basquete para a próxima temporada.

A ideia do "Joga Junto Mogi" é oferecer um projeto seja aberto ao público, com integração nas escolas da cidade. É "planejado um trabalho social dentro de um grande projeto desenhado para o basquete em Mogi das Cruzes".

A Smel deverá identificar núcleos a serem implantados na cidade e também fará uma interface com a Secretaria Municipal de Educação para que o trabalho seja desenvolvido nas escolas. O que ainda deverá ser discutido. As ações terão "ampla integração" e as crianças que participarem do programa Joga Junto Mogi vão interagir com os jogadores do time principal. Uma ideia é levar mais iniciativas para dentro das salas de aula. 

No projeto, serão criadas equipes das categorias sub-12, sub-14, sub-15, sub-17 e sub-19. Os locais dos treinos ainda serão definidos. O projeto deverá envolver uma série de profissionais, como preparadores físicos de nutricionistas e treinos similares entre as bases.

A coletiva de imprensa desta tarde contou com a participação do prefeito Caio Cunha (PODE), do titular de Esportes Ewerton Komatsubara e do recém-apresentado diretor da pasta Renato Lamas, ex-jogador campeão de basquete. Foi trazida uma contextualização sobre o cenário do esporte na cidade, e o basquete foi escolhido pela Administração para ser o pontapé inicial de uma série de restruturações.

Foi destacado que apesar da manutenção do projeto da modalidade profissional em Mogi não dependa do poder público, pois se trata de uma entidade privada, a atual gestão municipal está empenhada para alavancar a equipe.

Um panorama bem negativo foi apresentado sobre o Mogi Basquete e a necessidade de iniciar um novo ciclo, após o time chegar no “fundo do poço”, com salários atrasados e muitas dificuldades. A gestão teria entendido que é não será possível renovar o contrato com o técnico Guerrinha. Outras mudanças deverão ser anunciadas pelo time. 

A Prefeitura informou não saber o tamanho da dívida do Mogi Basquete – que passa por profundas dificuldades -, que deve ser maior que o imaginado.

“A ideia é iniciar um novo ciclo na cidade. A gente entende que esporte não é só entretenimento. Tem a ver com saúde, desenvolvimento”, destacou o prefeito Caio Cunha (PODE) no início da coletiva.

“O que tem feito nas últimas décadas a nossa cidade vibrar de fato é o basquete. Temos debatido como o esporte pode ser uma alavanca para o nosso município”, acrescentou ele, ao citar porque o projeto focaria nesta modalidade específica.

“A gente entende que o basquete tem que envolver toda a questão de base, com trabalhos dentro das próprias escolas”, disse. “Quando se fala basquete, infelizmente muitas pessoas limitam ao time da nossa cidade e pode ser muito mais”, acrescentou o chefe do Executivo.

“Renato Lamas veio com uma tarefa muito árdua de estruturar o basquete na cidade como um todo, mostrando que é possível ter outras categorias e uma inserção do esporte com a área social”, argumentou Cunha, que passou a palavra.

O secretário Ewerton se apresentou e agradeceu a oportunidade dada pelo prefeito. Na coletiva, falou sobre a necessidade de resgatar a paixão esportiva na cidade, que ele avalia estar "adormecida", mas ser muito "viva e única".

“Este é um momento muito especial, em que a secretaria está passando por uma reestruturação e a orientação é que onde for possível uma injeção de modernização, que seja feito. O basquete é uma paixão de Mogi das Cruzes. Temos essa visão de modernidade, de autossuficiência do projeto e a Secretaria de Esporte fará tudo o possível para apoiar”, destacou. 

“Uma das primeiras coisas que ele (Cunha) pediu para gente foi que onde tivesse que ser reestruturado, com aproche de modernização, assim fosse feito. Estamos com foco muito grande em diversas modalidades individuais e olímpicas”, disse se referindo aos trabalhos que serão desenvolvidos com outros esportes, no futuro. “Quando voltarmos para o nosso normal (sem os problemas da pandemia de Covid-19) vamos ter tempo de trabalhar nisso”, falou.

Passadas as apresentações, Renato Lamas comentou o projeto em si: “Nós montamos um plano de apoio para o basquete na cidade em cima de uma pirâmide integrada, com planejamento voltado para profissionalizar as categorias formativas de Mogi. Hoje o Mogi Basquete tem o sub-19 – que é obrigatório – e passa a ter um planejamento para 2022 a partir do sub-12, 14, 15, e 17. Vamos tentar apoiar de uma maneira que é o que você tem de melhor, vai colocar de uma forma integrada para as categorias normativas. O objetivo é simples, formar esses meninos. A base, a partir do ano de 2022 – ainda estamos vivendo um momento de incerteza”, disse.

Renato também falou sobre a situação do Mogi Basquete: “Hoje a gente fez e ainda está fazendo um diagnostico do basquete mogiano. Sendo franco, a situação é bem critica. Vamos precisar tomar algumas decisões que serão difíceis. Mas temos certeza que com o planejamento de apoio, vamos dar um direcionamento para recuperar o Mogi Basquete de forma sustentável”.

E continuou. "Posso falar que o Basquete Mogi está beirando o fundo do poço. Porém, esse fundo do poço, graças ao apoio do Caio, do Everton, para buscar tentar ajudar, a gente vai trabalhar o Basquete Mogi com muita garra, determinação, para que a gente consiga reerguer de maneira sustentável o basquete mogiano".

“Não podemos enquanto prefeitura, nos envolver diretamente, mas podemos apontar caminhos. Somos muito gratos ao trabalho do Nilo até aqui”, indicando a saída dele.

“Os profissionais estão muito mais que três meses com o salário atrasado e fizeram uma ótima temporada. Queria agradecer o trabalho do Guerrinha pelos serviços prestados, pelo comprometimento, mas infelizmente a orientação é de mudanças. “O time não conseguiu fazer se quer um plano de trabalho para continuidade do Guerrinha e ele provavelmente não segue com a equipe na próxima temporada”, disse Caio.

Mas Cunha foi incisivo ao falar que melhorias virão. Segundo ele, o processo com o novo patrocinador master do Mogi Basquete está muito avançado. “E o patrocinio será honrado. Poderiamos contratar uma grande estrela do basquete nacional com o dinheiro, mas antes precisamos honrar as pessoas que estão se dedicando pelo time”, disse.

“O momento hoje é de enxugar, montar um time equilibrado e não necessariamente quer dizer que traremos uma grande estrela, mas começamos a preparar o time competitivo", finalizou.

Mensagem para o torcedor

Renato encerrou passando uma mensagem para o torcedor mogiano. “O momento é delicado, chegamos no fundo do posso, porém, vamos ter um time competitivo. O secretário está trabalhando para apoiar o Mogi Basquete. Agora o torcedor mogiano precisa entender esse momento e não ficar desacreditado, achar que estamos perdidos. Agora é o momento de estar junto, de vestir a camisa. Nós amamos o basquete. Algumas decisões duras nesse momento são necessárias para que a gente colha os frutos. Se a gente não toma essas decisões agora, ia acabar o basquete em Mogi".

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