Arrastar um caminhão, levantar um carro ou erguer uma pedra natural de mais de 100 quilos e objetos que chegam aos 400 quilos. Atividades inimagináveis para muitas pessoas, mas não para um strongman, ou um “homem forte” em tradução livre. O esporte definido como atletismo de força conta com competidores que pesam mais de 105 quilos e disputam quem consegue fazer mais repetições de um movimento ou completá-los em menor tempo.

Muito da construção do esporte no Brasil se deve a um morador de Mogi das Cruzes, Marcos Ferrari, que hoje é presidente da Confederação Brasileira de Strongman. Ele viajou para os Estados Unidos e para Europa, anos atrás, para que pudesse conhecer melhor as regras da modalidade. No Alto Tietê, outros nomes do esporte se destacam, como é o caso do mogiano Glauco Benigno de Sousa e do biritibano Tiago Aparecido, ambos com títulos nacionais e internacionais. Conheça as história!

 

De segurança para o esporte

Até 2015, o mogiano Glauco Benigno de Sousa, de 41 anos, trabalhava com segurança de uma família de empresários do Brasil. Naquela época, já treinava o strongman havia 4 anos e foi procurado por uma marca de suplementos que queria patrociná-lo. Ele, então, conversou com a família e decidiu que iria atrás do sonho de viver do esporte.

Ter mudado de profissão nunca foi um arrependimento. “Na verdade, eu sabia que se não aceitasse a proposta ficaria pensando depois ‘e se eu tivesse aceitado?’”, afirma.

Agora, ele é o proprietário da única academia da modalidade em Mogi das Cruzes, além de fabricar equipamentos utilizados no esporte e de estar envolvido na organização dos eventos. “Eu não consigo me imaginar fazendo outra coisa".

O Glauco atleta escolhe a dedo as competições que vai participar, o que acaba sendo apenas duas por ano. Mas o Glauco empresário tem a própria marca, oferece treinos personalizados e tem muito ainda a agregar ao esporte, mesmo que não seja competindo. “Ainda assim, sou o atual campeão sul-americano na categoria master”, frisa.

A entrada do mogiano no esporte foi por incentivo do irmão, Glauber, que o chamou para treinar com alguns equipamentos, em 2011, no antigo Clube Campestre. Sempre acostumado a praticar esportes, Glauco ainda intercalava e ia um final de semana para lá e outro para futebol, até que a paixão pelo atletismo de força venceu.

Ainda em 2011, ele participou da primeira competição e foi muito mal. Isso fez com que ele procurasse profissionais como nutricionista e preparador físico.

Antes do strongman, o atleta, que tem 1,81 metro, pesava 90 quilos. Hoje, chega a pesar 117 quilos antes das competições e 115 quilos em épocas normais.

 

O cabeleireiro virou campeão

No Alto Tietê, o biritibano Tiago Aparecido, 35 anos, já é conhecido. Matérias na imprensa já mostraram ele em suas duas profissões: cabeleireiro em um salão de beleza e atleta de strongman. Ele vem ficando cada vez mais reconhecido também no cenário internacional. No último dia 31, o atleta ganhou o título de homem mais forte da América ao vencer o campeonato Strong For All.

Essa não é a primeira vez que Tiago conquista a façanha. Por cinco vezes já ganhou o sul-americano, além de ter sido o campeão do Mundial de Strongman, em 2018, na Índia. O atleta é também detentor de recorde, carregando 570 quilos na cangalha, um dos equipamentos utilizados no esporte.

“Minha entrada no strongman foi de maneira muito inesperada e até engraçada. Eu estava indo para a praia, meu carro quebrou na estrada e precisei do guincho do DER. No caminho, o motorista, que era o Nilson Prado, começou a me falar sobre o esporte e eu me convidei para treinar um dia com ele. Eu fui um dia para Mogi, nós fizemos o treino e eu nunca mais parei”, conta.

Tudo isso aconteceu em agosto de 2013 e em outubro daquele mesmo ano, Tiago participou da sua primeira competição, mas foi mal. Isso fez com que ele treinasse com maior intensidade. No ano seguinte, ganhou três etapas na categoria para atletas de até 105 quilos e em 2015, se tornou profissional e passou para a categoria de competidores com pesos que ultrapassam os 105 quilos.

Desde então, os títulos foram se acumulando e com 1,79 metro de altura e 135 quilos o atleta tem uma dieta de ingestão de 8 mil calorias diárias. As competições são constante na agenda do biritibano, que no domingo participou do Força Bruta e ficou em 4º lugar. As duas disputas na sequência impediram que ele estivesse recuperado para essa última.

 

A importância de Marcos Ferrari

Pela internet. Era assim que Marcos Ferrari, 43 anos, acompanhava o Strongman ao final dos anos 1990. “Se hoje passam poucas coisas desse esporte na TV, naquela época não passava nada”, relembra. Por uns anos ele continuou assim, vendo de longe. Mas entre 2007 e 2008, quando a filha Manoela foi diagnosticada com leucemia, ele encontrou forças para se dedicar àquilo que sempre teve vontade.

“Eu via ela passando pelo tratamento, batalhando e sabia que ela venceria aquilo, então eu encontrei forças para me tornar um strongman. O meu avô Arcênio, que era um ‘italianão’, também sempre me incentivou muito a praticar os esportes de força. Eles foram meus grandes motivadores e, com isso, eu me encontrei no esporte”, relata Ferrari.

Como o esporte era pouco conhecido no Brasil, o atleta recorreu à internet para que pudesse fabricar seus próprios equipamentos e treinar. Por um tempo, ele – que é nascido no Paraná, mas se mudou para Mogi das Cruzes em 1988 – viveu em Salesópolis. Ferrari lembra que quando o viam treinar, os vizinhos o chamavam de louco. Hoje, essas mesmas pessoas o encontram na rua e reconhecem o atleta famoso e se espantam com as mudanças no corpo.

Foram cerca de 40 quilos ganhos desde que começou os treinos. Com 1,75 metro de altura, ele pesa aproximadamente 125 quilos, podendo aumentar em até 10% em períodos antes das competições. Hoje, já com diversos títulos acumulados, ele escolhe a dedo as disputas que vai participar e se dedica mais à organização de eventos da modalidade.

Junto a outros atletas, fundou em 2010 a Confederação Brasileira de Strongman, da qual é o presidente atualmente. A entidade é responsável por selecionar os melhores atletas do Brasil para competições nacionais e internacionais.