“Aquela que combate, que tem por característica ser combatente, que se esforça e luta muito por seus objetivos”. Essa é a definição da palavra ‘guerreira’ no dicionário. É também o nome de luta escolhido pela pugilista mogiana Danila Ramos. A palavra serve como uma síntese da trajetória da lutadora que hoje soma 19 anos de carreira. “Da vila Cléo para o mundo”, atualmente ela ocupa a 7° posição no ranking mundial de boxe na categoria pena, totaliza 150 lutas amadoras e 11 profissionais, além de cinco títulos brasileiros, entre outras conquistas. 

A mais recente delas ocorreu no último dia 4, quando superou a adversária Simone da Silva frente a frente na Arena de Lutas, em São Paulo, levando o cinturão da categoria peso-pena do Conselho Nacional de Boxe (CNB). 

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No próximo ano, após um período merecido de descanso, Danila voltará a se preparar para lutar pelo cinturão mundial, ainda inédito em sua carreira, conforme conta em entrevista para O Diário; ela também relembra sua última luta. 

E o adjetivo guerreira, além de apenas um apelido, continua sendo reflexo de ações. Além de Simone – uma das principais boxeadores profissionais do país – Danila precisou enfrentar um outro adversário: a Covid-19. 

Cerca de 45 dias antes do confronto ela foi diagnosticada com a doença. Teve pneumonia e sintomas severos da infecção, além de 25% do pulmão comprometido. 

“Tive apenas duas semanas e meia para me recuperar, acabei treinando muito menos e quando treinava sentia esse peso extra; na hora da luta, tive que encarar minha rival ainda com o pulmão afetado. Na luta eu fiquei sufocada, mas a vontade de vencer falou mais alto”, comemorou Danila. 

“Meu maior adversário foi a Covid-19, que eu nocauteei” comentou ela, ao agradecer antes todo o suporte recebido pela equipe médica do Hospital Municipal de Braz Cubas. “Me trataram com todo o respeito, deixo aqui meu muito obrigado”, comenta.  A Simone é uma grande boxeadora e eu sabia que ela aguentaria os 10 rounds, então, para ter chance, preparei uma estratégia especial com meu marido e treinador, Marcos Martinez, e também com meu preparador físico Jhulender Silveira”, revela a atleta. 

Danila é uma boxeadora explosiva, que “joga muito golpe”, o que não podia fazer sem todo o pulmão. A estratégia foi controlar a luta, não se expor e sobreviver até o final. “Ela (Simone) também não fez a minha vida fácil, foi explosiva, foi guerreira, mas no fim o planejamento deu certo”, comentou. 

Ao ser questionada sobre sua escolhe para o boxe ela responde “hoje minha família respira o boxe, é um esporte pouco valorizado, que desde o início querer muita dedicação dos lutadores”, pontua. O que ela diz mais gostar no esporte é essa necessidade constante de superação. 

Questionada sobre como é na ‘hora das lutas’, se diverte e diz: “é quando me divirto. O difícil são os treinos todos os dias, na luta é quando podemos extravasar toda essa força, digo que é a hora do show”. 

Danila sabe que seu exemplo pode evidenciar que o esporte ajuda a transformar vidas. Destacar também que esse não é um esporte apenas de homens. 

“Quando eu iniciei nos esportes, com 19 anos, as pessoas diziam que eu deveria praticar vólei, balé, algo de ‘menina’, regra que não existe’, eu só parei e disse ‘eu faço o que eu quero’.

“Meu muito obrigada, mãe” 

Danila destaca que sua trajetória, hoje reconhecida internacionalmente, não seria possível sem o apoio constante de sua mãe Vera Freitas, hoje com 56 anos. 

“Foi ela, sozinha, que criou eu e minha irmã, que sempre me apoiou, por isso gostaria de deixar uma mensagem de carinho especial para ela”, comentou a pugilista. 

 Hoje, assim como foi apoiada, Danila busca também usar o esporte para apoiar outras pessoas, mesmo que seja atrávés do exemplo. 

“Viver do esporte é muito difícil, a luta começa desde cedo, com a falta de incentivo financeiro, por isso sempre destacamos que é necessário mais atenção para a área”, alerta Danila. 

Na última terça-feira (8), ela recebeu uma homenagem no bairro que foi criada, vila Cléo, onde exibiu o cinturão e reuniu moradores. 

Também recebeu bastante apoio nas redes sociais, após a divulgação da última conquista, na semana passada.

E nas redes sociais ela já deixou claro: “Da Vila Cléo para o mundo, tenho muito orgulho da minha quebrada. Irei em busca do Título Mundial”.