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COPA DO MUNDO

Família mogiana que vive no Catar há 12 anos relata o clima da Copa e mudanças

Mogianos acompanham as profundas mudanças provocadas pela competição que reúne o melhor do futebol mundial.

Larissa Rodrigues
05/12/2022 às 08:40.
Atualizado em 05/12/2022 às 14:02

Sylvio Arroyo e Paula vivem com os três filhos em Doha. A jornalista fala sobre as diferenças culturais e sociais do país que se transformou após ser anunciado como sede do mundial (Foto: Arquivo Pessoal)

Morando em Doha, no Catar, há 12 anos, a mogiana Paula Nascimento diz que viu o país evoluir 30 anos nesse período. Muito disso por conta da Copa do Mundo, que este ano está sendo realizada por lá. Ao lado do marido, Silvio Arroyo Filho, e dos filhos Gabriel, Leandro e Maria Eduarda, ela construiu a vida no país árabe e não tem planos para retornar ao Brasil. 

Quando Sylvio mudou para o Catar, ele chegou a presenciar a escolha da Fifa para que o país fosse sede do evento esportivo. Paula se mudou para lá alguns meses depois e, desde então, eles acompanham os avanços do país. Não foram apenas os estádios construídos, mas ela diz que é impossível se lembrar como era o país em 2010. Shoppings e opções de entretenimento também surgiram no período. 
“Eu sempre fui muito família e dizia que jamais sairia do Brasil. Mas nós estávamos passando por uma fase que não estava muito boa financeiramente e, quando meu marido recebeu uma proposta de trabalho aqui, nós logo ficamos com aquilo em mente. Não demorou para que a gente se mudasse e eu nunca me arrependi. Hoje, minha vida é aqui”, afirma Paula. 

A proposta era para que Sylvio trabalhasse como veterinário de cavalos no Al Shaqab, um dos haras de cavalos árabes mais conhecidos do mundo. O centro equestre pertence à Qatar Foudation, que é presidida por Mozah bint Nasser, mãe de Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, atual emir – ou rei – do Catar. 

Algum tempo depois, em 2014, Paula, que é jornalista, também foi trabalhar no Al Shaqab, onde hoje integra o departamento de protocolo e relações internacionais. Quando chegou ao país, ela não dominava o inglês e, por isso, houve certa dificuldade em conseguir um emprego na área do jornalismo. Agora, a língua – que ela domina – já não é mais um problema. 

O idioma árabe, porém, ainda não foi aprendido por ela, que sabe “algumas palavras”, como ela mesma conta. Sylvio consegue entender as conversas em árabe, mas não sabe falar a língua. Isso não é um problema, já que a maioria dos moradores fala em inglês e os amigos do casal são brasileiros. 

Mas a mudança para um lugar que é tão diferente do Brasil trouxe outros pontos com os quais a família precisou se adaptar. Quando eles se mudaram para lá, Gabriel – o filho mais velho, que hoje tem 16 anos – tinha apenas 4 anos de idade. Leandro, de 9 anos, e Maria Eduarda, de 5 anos, nasceram lá. 

“Quando cheguei aqui, vi que a educação nas escolas era muito diferente. No Brasil, as crianças da pré-escola já escrevem o nome, na 1ª série começam a formar frases... Aqui é tudo muito mais lúdico, com textos que vão de acordo com a maturidade de cada aluno. Eu achava que o que eu estava acostumada é que era o certo, mas vi que a educação daqui abre muito mais oportunidades para os meus filhos”, explica a mogiana. 

Quando se fala em vestimenta, Paula conta que isso não foi um problema para ela. Apesar de existir o “dress code”, que não permite que mulheres usem decote, roupas curtas e justas, assim como não permite que os homens usem bermudas, ela fala que foi fácil se adaptar. Quando sai de regata, por exemplo, ela leva algo que possa se cobrir caso alguém reclame. 

E mesmo o calor não é um problema nesse caso em que as roupas mais curtas não podem ser usadas. Isso porque todos os locais têm ar-condicionado, que muitas vezes fazem até as pessoas usarem blusas em dias que os termômetros marcam 50ºC. 

Sobre o preconceito com as mulheres, ela diz que muitas condutas têm mudado no país por conta das ações de Mozah bint Nasser, que não é apenas a mãe do rei, mas é formada em sociologia, possui doutorado em cinco universidades e luta pelas mulheres, crianças e também pela educação. 

“Eu entendi que não importa o tempo que eu estiver aqui, eu serei sempre uma expatriada e não adianta eu brigar, porque no final estarei errada. E não adianta a gente chegar em outro país querendo mudar as regras; nós temos que aceitar. É importante entender que há diferença entre tradição e religião. Muitos costumes que fazem parte da tradição são seguidos apenas pelos mais velhos e os que são ‘mais pra frente’ já não seguem mais. Mas o Catar é um país mulçumano, que vai de acordo com o alcorão”, conclui a jornalista.

“Árabes são festeiros”

A mogiana Paula Nascimento e a família já podem ser chamadas de pés quentes: estiveram nos dois primeiros jogos do Brasil na Copa do Mundo, no Catar, e assistiram de perto os brasileiros ganharem de 2 a 0 da Sérvia e de 1 a 0 da Suíça. Morando há 12 anos no país em que o campeonato mundial está sendo sediado, eles estão aproveitando para assistir não apenas aos jogos da Seleção Brasileira, mas também de outros países. 

O clima que está sendo visto pelas ruas do Catar anima Paula. Ela está confiante de que este ano o Brasil levará o tão sonhado hexacampeonato. E o que a faz pensar isso, além das boas apresentações do time, são as pessoas que encontra pelas ruas, até mesmo aqueles que não são brasileiros. 

“Tem muita gente torcendo para o Brasil aqui. Existem os brasileiros, claro, que estão fazendo uma festa linda. Cantando nos estádios e até fora dele, quando acabam as partidas e vamos embora. Mas muitos estrangeiros, quando passam por nós e veem que somos brasileiros, também falam coisas do tipo ‘o Brasil vai ser hexa’. Isso, com certeza, nos dá mais confiança”, diz. 

Conhecendo de perto o país árabe, Paula explica que, claro, existem as diferenças de cultura, costumes e religião, mas que os moradores do Catar aceitaram a realização da Copa do Mundo de braços abertos e que eles estão muito felizes e receptivos para os turistas. 

“Você vê que quem veio para a Copa com um certo receio, por tudo o que foi dito antes, hoje chega aqui e se encanta. Os árabes são muito festeiros, receptivos e gostam de receber pessoas. Eles até mesmo abriram mão de algumas regras para receber os turistas. Hoje você vê mulheres de biquíni nas praias, o que não acontece aqui”, revela. 

Paula destaca ainda a estrutura que foi montada para receber o evento esportivo, que conta com transporte gratuito, incluindo os ônibus e o metrô. Os turistas contam ainda com shows diários que também acontecem gratuitamente em Doha, a capital do Catar, onde estão concentrados os jogos. 

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