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NADA FELIZ

Anúncio de pausa do Mogi Basquete desagrada torcedores

O Diário ouviu alguns dos torcedores que não gostaram nem um pouco da pausa anunciada na equipe adulta do time.

O Diário
02/07/2022 às 08:04.
Atualizado em 03/07/2022 às 16:10

Registro do ‘Hugão’ lotado ajuda a lembrar que o basquete é uma paixão mogiana (Arquivo - Mogi Basquete)

O congelamento das atividades do time adulto do Mogi das Cruzes Basquete na temporada 2022/23 - decidido de surpresa, apesar da crise financeira que se desenrola nos bastidores -, desagradou o pilar mais importante para qualquer time: a torcida, que vem utilizando as redes sociais para se expressar. O Diário ouviu alguns deles, confira: 

Comentários de indignação e com críticas são acompanhados de apelos para que a equipe possa, de fato, retornar mais forte no próximo ano, como almeja a diretoria. Apesar de tudo, a vontade de ver o time profissional de volta às quadras é grande, afinal, o basquete se tornou uma paixão mogiana. 

A falta de informações mais detalhadas, no entanto, faz com que muitos torcedores ‘das antigas’ fiquem com um pé atrás. Na semana passada, foi divulgado que os contratos dos jogadores do time adulto do Mogi foram encerrados.

O time de fato apresentou poucos detalhes sobre sua situação financeira, principal motivo apontado para a pausa anunciada. Existem também ressalvas sobre como o time conseguirá verba para pagar as dívidas sem uma equipe profissional adulta e sem visibilidade no Campeonato Paulista e no Novo Basquete Brasil (NBB). O foco migra para as categorias de base, que têm agenda cheia para este ano.

A pausa na atual temporada vem para que as dívidas não virem uma “bola de neve”, mas a diretoria garante que este certamente não será o fim do Mogi Basquete, como é especulado na web. 

Entre as reclamações também está a falta de uma conversa franca sobre a situação do time, além dos comunicados. Esse é um dos pontos que tocou a torcedora e jornalista Taciana da Paz.

Taciana acompanha o basquete mogiano há quase três décadas, desde que tinha 13 anos, e antes da vinda do nome Mogi Basquete. Ela recebeu o anúncio da pausa com tristeza: “Dói muito ver o Mogi sem representação nos principais campeonatos”, disse. 
“Faltou uma resposta mais adequada para os torcedores. Não estou dizendo que o comunicado foi ruim. Mas ficamos com dúvidas sobre o futuro, por exemplo, como os patrocinadores vão continuar com o time fora da NBB?”, questionou Taciana. Seria legal se organizassem uma conversa com os sócio-torcedores”, sugere.

“Somos torcedores, torcemos pelo sucesso do time e, quem sabe, alguém não pode ajudar, de alguma forma. No futebol é assim: os torcedores se reúnem e dão um jeito, para tentar ajudar o time; quem sabe surja alguma ideia de uma conversa honesta”, argumenta a jornalista. 

Sobre o futuro, ela mantém as esperanças. “Não só eu, como outros torcedores ficamos na esperança que esse impasse se resolva, mas estamos incertos sobre o futuro do time. Quando voltar, estaremos lá”, garantiu. 

Por fim, ela diz que ficou feliz com a continuação da base “que era uma novidade que não tínhamos antes e que vem dando certo”. 

Um relato em tom de indignação veio da página Mogi Boladão (@mogiboladao no Instagram) - gerenciada pelo torcedor Marcelo Lima, que registra em detalhes a trajetória do time. 

“Primeiro, um time como o nosso Mogi Basquete, com a tradição e visibilidade que temos, com a torcida apaixonada que temos, com todas as conquistas obtidas, não merece passar pelo o que está passando. É muita incompetência! Os culpados? São vários. Sabemos que o problema não aconteceu agora, só foi piorando com o passar dos anos, até que chegamos nessa situação em que estamos. Não venham jogar a culpa na pandemia, que ela foi ruim todos sabemos, mas foi ruim para todos, e o que vemos são vários times se ajustando e continuando a disputar os campeonatos”, disse.

“No dia 7 deste mês em reunião com o presidente do time, Dimas Martins, com o prefeito Caio Cunha, e com o secretário de esportes da cidade, Gustavo Nogueira, ouvi da boca deles que o nosso Mogi Basquete disputaria o Campeonato Paulista e só disputaria o NBB se atingisse o valor mínimo necessário que viabilizasse nossa participação. Porém, 15 dias depois, fomos ‘surpreendidos’ com a informação de que não participaríamos do Paulista e nem do NBB”, explica. 

“O que aconteceu nesse meio tempo que mudou o planejamento e o prometido na reunião? Novas dívidas que não haviam sido mapeadas?”, indaga.

Ele contina: “Analisando friamente, e com o coração partido, acho válido congelar os gastos (que significa não participarmos dos campeonatos na próxima temporada), e nesse tempo honrar com as dívidas que o time fez com os atletas, que mesmo com os atrasos de salários, sempre se dedicaram em quadra e merecem receber, assim como todos os outros funcionários do time. E depois desse ano sabático, voltarmos com o time adulto para a temporada 2023/24”, relata, ao citar, ainda, que não apareçam novas “dívidas não mapeadas”.

Outro nome que sempre esteve ao lado da história do time é o do torcedor Wagner Lorijola que, inclusive, comandou a organizada Fúria. Questionado sobre como recebeu a decisão, ele respondeu de forma direta: “Nós recebemos mal”.

“Sabíamos da situação do time, mas como na última temporada disputaram com um orçamento menor, achamos que poderia ser mantido o time agora, apesar das dívidas”, contou. 

“Esperamos que possam ser solucionados todos os problemas para que tudo possa voltar mais forte. Como aconteceu em 2011, quando o time conseguiu retornar”, declara Wagner.

“Vamos contar com a base, que pode, no futuro, dar bons frutos. Estamos disputando campeonatos da base. É bom dar oportunidades”, argumentou. Por fim, ele conta que no estádio, acompanhando o time, formou uma “verdadeira família” junto aos demais torcedores e que espera que isso seja retomado logo.

 Como retornar

SAUDADE Foto de arquivo mostra torcida do Mogi Basquete reunida (Arquivo - Mogi Basquete)

Essa é a primeira pausa da equipe desde a reorganização do time, em 2011. Vale lembrar que o basquete profissional mogiano está prestes a completar três décadas de história. Soma dois títulos Paulistas e outras conquistas importantes. Na atual temporada, a equipe vai focar os trabalhos das categorias de base. 

As dívidas são motivos da pausa: “Nós herdamos uma quantia de aproximadamente R$ 1,5 milhão que precisava ser acertada, mas as contas do mês não fechavam. Tínhamos uma folha de pagamento muito maior do que conseguíamos ter de entrada e aí tivemos que fazer uma régua de pagamento, de paga um, atrasa um, paga outro, e os jogadores entraram em quadra sem receber”, disse Dimas Martins Franco Junior, presidente da associação responsável pela gestão do Mogi Basquete. 

Ele garantiu que o time já busca recursos para retornar os trabalhos da equipe adulta na próxima temporada. Faltaram cerca de R$ 200 mil mensais para manter as atividades em caixa para o trabalho da equipe adulta continuar. 

O clube não quer depender apenas da verba de patrocínios. Por isso, contratou uma consultoria para auxiliar na captação de incentivos ficais de empresas e indústrias da região. Essa é uma das principais apostas para o futuro. A venda da franquia do Mogi no NBB foi descartada. 

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