Diretor do Sesc, Danilo Miranda diz que unidade de Mogi abrirá inscrição no próximo semestre

Danilo é diretor do Sesc. (Foto: Divulgação)
Danilo Miranda afirma que unidade mogiana do Sesc vai trazer grandes atividades em várias áreas para a população. (Foto: Divulgação)

A instalação da unidade provisória do Serviço Social do Comércio (Sesc) em Mogi das Cruzes, com previsão de início de atividades no primeiro semestre de 2021, na área do antigo centro esportivo do Socorro, será um divisor de águas na cidade e promete grande impacto nas áreas cultural, esportiva, educacional, de lazer, recreação e cidadania. Esta é a proposta, segundo o diretor do Sesc-SP, Danilo Santos de Miranda, 77 anos, que em entrevista exclusiva a O Diário explica a proposta interativa de reunir todas estas atividades em um único espaço para atender a população da cidade e dos 10 municípios do Alto Tietê. Ainda que o projeto definitivo tenha prazo para ser entregue à Prefeitura Municipal até 2024, ele afirma que já no próximo ano o Sesc terá atuação marcante na vida dos moradores da região. Miranda, porém, admite o impacto financeiro trazido pela crise do novo coronavírus (Covid-19) que resultou em atrasos em ações, inclusive no processo de implantação da unidade mogiana. Nesta quinta-feira, o Sesc fará uma apresentação do planejamento dos trabalhos de adequação do imóvel recebido no mês passado à Prefeitura. Confira os planos para Mogi na entrevista:

Quais mudanças uma unidade do Sesc, mesmo provisória, significa para as cidades atendidas e o que vai representar para Mogi das Cruzes?

O impacto vai ocorrer porque a presença do Sesc é sempre significativa, já que atua como campo da cultura, lazer, esporte, recreação, educação, cidadania… São muitas as ações que o Sesc realiza e, no caso da unidade de Mogi, trata-se de algo especial por vários motivos. Primeiro porque é uma cidade importante da Grande São Paulo, que tem população significativa e interesse nos campos da cultura e em todos os outros. É vibrante sob vários pontos de vista. Há uma carência regional deste tipo de ação que oferecemos, com tudo reunido em um único lugar. Claro que existe ação social voltada à cultura, esportes, lazer e interesse da comunidade em questões ligadas à cidadania, mas todo este conjunto de questões será concentrado em um único local, numa proposta educativa integrada e atendendo a população da cidade inteira e da região. Isso não é tão frequente, vai causar impacto e tenho a satisfação de dizer que sinto esperança e boa expectativa em relação a esta unidade.

Quais são as próximas etapas de instalação da unidade mogiana?

Primeiro ocorre a ocupação inicial, depois a instalação provisória e em um terceiro momento, o projeto de implantação definitiva da unidade. São várias as fases da nossa chegada a Mogi.

Nesta semana, o Sesc deverá fazer uma apresentação à Prefeitura sobre a unidade temporária. O que ela contemplará?

A apresentação está marcada para dia 13 de agosto, às 11h30. Será uma reunião com a Prefeitura, o prefeito e demais secretários e auxiliares, onde vamos falar sobre nossa intenção, o que estamos fazendo e o que pretendemos ter pronto neste momento. Até lá teremos um quadro mais claro sobre o que vamos realmente poder fazer. De antemão, nesta primeira abordagem, usaremos o que está ali instalado, prédios, quadra, campo de futebol, quadra de futebol soçaite, piscina e áreas que foram ocupadas por outras instituições. Vamos usar tudo aquilo, mas precisamos colocar estes imóveis em ordem do ponto de vista de condições básicas para instalação de pessoas. Pensar no piso, hidráulica e elétrica. O engenheiro André Santiago já está no local, provisoriamente, para cuidar destas primeiras providências que serão o cercamento da área, vigilância e medidas prévias para que possamos, aos poucos, pensar na utilização dos imóveis que estão lá e serão usados para os diversos serviços sociais ali instalados, a infraestrutura, apoio e atendimento ao público dentro da perspectiva do que temos em todas as unidades do Sesc. Haverá áreas destinadas às atividades físicas, culturais, convivência, alimentação no futuro, desde que supere todas estas fases da pandemia, que realmente são graves e atrapalham os planos.

Qual a expectativa de início do Sesc provisório em Mogi?

O Sesc tem muito empenho de levar adiante esta missão. Provavelmente, no primeiro semestre do ano que vem a unidade provisória terá possibilidades de começar a atender o público para o processo de inscrições, após as reformas básicas dos imóveis que lá estão para dar condições de funcionamento às atividades, porque precisamos, no mínimo, de infraestrutura adequada, logística, pintura, adaptações e mobiliário. Tudo tem que ser licitado, então, estamos terminando estas providências para iniciar o mais breve possível a reforma e começar a atender o público. Estamos fechando a empresa para tomar conta deste trabalho neste momento para depois imaginarmos o projeto definitivo.

Quando ocorrerá a implantação definitiva?

Há todo o processo de escolha do projeto definitivo, que é bem complexo e não temos um padrão porque cada unidade tem características próprias. Buscamos o melhor do ponto de vista da arquitetura, fazemos um estudo profundo, completo e demorado e não atendemos a expectativa de políticos e daqueles que querem algo imediatamente. Fazemos coisas para longo prazo e a fim de beneficiar grande parte da população. Nossas unidades mais antigas estão funcionando há muito tempo. Fazer tudo rápido para satisfazer interesses políticos não é com o Sesc. Temos o prazo legal, que prevê que até 2024 seja apresentado o projeto definitivo, que tem prazo para ser construído dentro da lógica atual de arrecadação do Sesc. Mudando isso, muda-se tudo. Não quero fazer previsão negativa. Quero que isso passe logo e que a gente supere tudo lá na frente, mas com paciência. Não vai ser de uma vez só porque está vinculado ao processo de transformação e mudança do país. Dependemos da atividade econômica e quanto mais empresas contribuírem, mais o Sesc poderá realizar suas atividades prioritariamente para os funcionários destas empresas. O horizonte é claro e temos que dar atenção a isso no futuro para poder atender os compromissos legais com a Prefeitura. Mas já no primeiro semestre de 2021, o Sesc terá uma presença forte na cidade.

No momento, quais trabalhos são realizados na área do antigo centro esportivo do Socorro que sediará o Sesc?

A atual situação atrasa as ações para implantação da unidade em Mogi. A pandemia é transversal, atrasa a vida de todos, das instituições privadas e públicas, do ponto de vista do que se faz, porque muitas coisas não estão funcionando, como no caso das unidades do Sesc, que estão fechadas. Dentro de alguns dias, abriremos internamente, mas por enquanto não há serviço do Sesc funcionando. Isso afeta nossas intenções e, mais gravemente, as finanças. A crise econômica já vinha e foi ainda mais agravada em função da pandemia. O Sesc foi afetado profundamente em seus meios de sobrevivência, compondo um quadro não favorável ao que tínhamos, ao que era normal e não será mais possível de ser alcançado nem mesmo proximamente. É muito difícil retornar àquilo e, provavelmente, voltaremos em outra natureza, de outra maneira e modo de fazer. Estamos nos reinventando, presentes nas lives e atividades virtuais intensas, que é algo necessário e importante, mas insuficiente para o trabalho. O desejo é voltar ao presencial o mais rápido possível. Há um mês, recebemos o espaço em Mogi em uma cerimônia em que a diretoria do Sesc não pode estar presente devido à pandemia e foi representada pela assessoria jurídica. A pandemia afetou tudo, o modo de conviver, de sair de casa, de transportar. Estou há cinco meses em casa, trabalhando por telefone, computador, videoconferências…

Qual o impacto da redução da contribuição das empresas ao Sistema S nas finanças do Sesc?

Isso afetou muito e é uma consequência da pandemia. São 50% da redução em três meses. Houve manifestação por parte da equipe econômica querendo tornar isso mais definitivo, o que seria profundamente grave porque teríamos que reduzir investimento e atuação. Mas isso não é fato e torço para que a proposta não passe. Trabalho com certa dose de otimismo e não vejo esta possibilidade de corte permanente.

Algumas unidades do Sesc seguem um conceito, como a da avenida Paulista, por exemplo, que é focada na tecnologia. Como será em Mogi?

O Sesc tem características muito comuns nestas unidades em geral e Mogi terá uma unidade típica, como a de Guarulhos, que é moderna, avançada e atende um vasto programa cultural e de atividades físicas em um terreno muito bom, mas a área de Mogi é ainda maior do que a de Guarulhos. O terreno é grande, com área de 27.287 metros quadrados, e vamos aproveitar toda a área, que é bem localizada, com fácil acesso de transporte e perto de universidades.

A informação desmonta a ideia de uma cidade onde se vive a cultura da ignorância e do ódio. Qual o papel do Sesc neste caminho?

O Sesc desenvolve debates e projetos, além de toda atuação no campo cultural e da atividade física, propondo sempre a cultura da solidariedade e da paz. Isso é inerente à nossa proposta institucional, que visa o bem-estar, satisfação e felicidade das pessoas. O Sesc não é apenas uma instituição cultural, mas sim uma instituição também cultural, esportiva, que tem programas sérios de saúde e alimentação, atividades voltadas ao convívio, bem-estar de idosos e crianças, além da integração. Somos uma instituição de bem-estar social, qualidade de vida e bem viver. Procuramos desenvolver programas que favoreçam esta proposta, ajudando as pessoas a perceberem isso, recebendo quem vai nos traga assuntos delicados, sobre diversidade, convivência, questões do outro, de gênero, raça, cor e religião. Tudo de maneira ampla e leiga, destituída de caráter religioso e político. Abrigamos e ouvimos a todos, mas pregamos uma sociedade ética, de convivência e solidariedade. Procuramos praticar isso, treinando o pessoal e criando condições para que as pessoas sejam bem recebidas, com atendimento de qualidade e respeitoso a fim de que se sintam integradas à unidade e àquilo que propomos. Não pregamos propriamente princípios de solidariedade e paz, procuramos praticá-los e fazer isso significa mais do que falar sobre. Como parte inerente do nosso dia a dia, as pessoas se sentem encorajadas a participar da vida de forma mais integrada. Claro que sempre haverá problemas de convivência, mas isso será superado no brasil com um país mais integrado e menos ódio. Hoje, o ódio faz parte da proposta e somos contra a política do ódio. O Sesc trabalha por um caráter humanizador e da convivência harmônica entre todos.


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