ECONOMIA

Empresários e entidades econômicas de Mogi debatem a pós-pandemia com representante do Ministério da Economia

JUNTOS Empresários e representantes de entidades econômicas da cidade se reuniram ontem com o secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, Geanluca Lorenzon. (Foto: divulgação)

Uma reunião online promovida pela Prefeitura de Mogi das Cruzes com os principais empresários e entidades econômicas da cidade debateu ontem o período pós-pandemia com o secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, Geanluca Lorenzon. Ele não antecipou medidas futuras concretas que deverão ser adotadas pelo governo, mas ressaltou o comprometimento com a aprovação de reformas e desoneração da folha de pagamento para atrair investidores e dar competitividade à indústria brasileira no mercado internacional.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) iniciou o encontro dizendo que as empresas que participavam da reunião representam 65 mil vínculos empregatícios na cidade e estão preocupadas com a atividade econômica. O debate, defendeu ele, ajudaria a ter um norte sobre os caminhos que o Governo Federal pretende seguir para aliviar os impactos no desenvolvimento do país causado pela pandemia do novo coronavírus.

Lorezon, que em 2019 veio a Mogi para participar do Fórum de Desenvolvimento Econômico, contou que a pandemia promoveu um baque muito grande e distorceu a agenda econômica pensada para 2020, que envolvia a aprovação das reformas, ajuste fiscal e políticas de desburocratização do Brasil. Mas, diante do cenário de apreensão imposto, afirmou que o governo ofereceu apoio para que o isolamento social e a quarentena ocorressem, por meio de programas como o auxílio emergencial e a redução e suspensão de contratos de trabalho, além de ajuda a estados e municípios, sobretudo para custeio da saúde.

“A gente não pode ter aumento de carga tributária, então precisa acelerar o processo para desonerar a indústria. Do outro lado, precisamos desonerar o trabalho. O ministro (Paulo) Guedes diz que é o lado mais perverso, com a onerosidade da folha de pagamento. Eu penso que precisamos desenvolver questões como desregulação, repensar marcos legais para desonerar a carga tributária brasileira, e agilizar investimentos no momento em que o mundo força, de maneira positiva, uma descentralização das cadeias positivas da China e Índia. Isso pode representar um momento de oportunidade para o Brasil, que é um país que não tendia a entrar nessas cadeias mundiais” pontua Lorezon.

Representando a multinacional Höganäs, com planta em Mogi, Adriano Machado, perguntou ao secretário de que forma o Governo Federal pensa em melhorar a confiança dos investidores e também dos consumidores no Brasil.

Lorenzon lembrou que são eixos bastante distintos, enquanto os investimentos internacionais dependem da reação da economia mundial no pós-pandemia, e ressaltou como fator importante a volta sem aumento de casos nos EUA e na Europa, e que o consumidor guarda relação com o desemprego, endividamento e uso da poupança durante a pandemia. Ainda segundo ele, o cenário difícil e complexo, demanda análise de como as pessoas estão saindo da crise.

“Para os investidores, o mais importante para nós é dar uma sinalização de que as reformas não vão parar, e sim acelerar. Se a gente fizer essa projeção, sentar com o congresso, e mostrar que nós estamos acelerados e apegados aos planos, desoneração, reforma do estado, tributária, tocar as privatizações. Agora teremos a venda de imóveis pela união, que é um passo importante. Para o consumidor, estamos olhando que tipo de ajuda a gente pode dar para micro e pequena empresa, e também temos a liberação do saque de R$ 1 mil do FGTS em julho, e que deve dar uma movimentada nas classes C e D, porque essas pessoas precisam consumir”, pontuou.

Fabio Matos, diretor-geral da Elgin, pontuou que muito se fala em uma reforma tributária, mas que ele não percebe um consenso nos projetos, sobretudo porque há um circulando na Câmara e outro no Senado, e ele vê dificuldade em conseguir a aprovação nesse cenário.

Lorezon disse que o grande desafio da reforma tributária está em ninguém pode abrir mão da arrecadação, porque há estados quebrados, e o por outro lado, o cidadão não pode pagar mais. Então se existe qualquer percepção de que algum desses lados pode “pagar mais”, há uma tensão. Mas o governo tem plano de uma comissão mista, com todo o congresso, em matéria que já está na Câmara. Em cima dela, o Senado faria algumas alterações e o governo mandaria emendas a questões mais marginais, e isso seria discutido em uma comissão mista parlamentar, e a partir disso iria para o congresso.

“Isso iria para discussão, mas a pandemia segurou. Os estados estavam fechados com essa ideia. Por outro lado, tem a outra questão, que não era vista pela reforma tributária, que o Guedes e o Maia falam, que é a desoneração da folha. É uma questão que a gente ainda debate para saber de onde sai esse valor da desoneração da folha”, destaca.

Adriano Barros, da General Motors, voltou a pontuar a importância da desoneração da folha junto com a reforma tributária. Ele usou como exemplo o custo 18% maior para se produzir um carro no Brasil, quando comparado ao México.

Lorezon reconheceu a necessidade de desonerar a indústria. “No final o nosso produto fica mais caro e não é competitivo no mercado internacional. O segundo ponto é o acesso às medidas de curto prazo. O Reintegra precisa ser acelerado, isso já está no mapa, tudo isso é a nossa prioridade”, destacou, ao falar sobre esse programa de estímulo à exportação.


Deixe seu comentário