EDITORIAL

Em defesa da educação

Ao tomar a decisão de prorrogar por mais um mês a suspensão das aulas presenciais na rede pública e particular do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, a Prefeitura de Mogi das Cruzes dá sinais de que poderá seguir outras cidades que postergaram o retorno das aulas apenas no ano que vem.

Esse tempo a mais para preparar o modelo de atendimento aos alunos e professores, informa o governo municipal, será usado para afinar os protocolos sanitários e educacionais. Não será fácil, mas há de focar em ações que possam reduzir o estresse vivido pelo professor, pelo aluno e pelos pais

Especialistas e organizações reconhecidas de ensino mapeiam, há alguns meses, os prejuízos causados pela falta de uma unidade nacional nas decisões sobre a educação durante a pandemia. O governo federal falhou, e muito, nesse quesito.

E mesmo aqui, em São Paulo, que se destaca pelos esforços em levar o ensino online a quem ficou em casa pela imposição da quarentena, desajustes são flagrantes.

Veja, apesar de o Governo do Estado ter baixado um decreto dizendo que atividades presenciais complementares – para o atendimento ao aluno que não conseguiu acompanhar as aulas online, podem começar na próxima semana -, a própria norma lega aos prefeitos o poder de decisão sobre reabrir ou não, as escolas com esse objetivo.

Em uma mesma região, há divergências na maneira como a reabertura das escolas será conduzida. Isso tende a acentuar a desigualdade entre as gerações em formação.

À falta de um norte único, que deveria ter sido dado pelo Ministério da Educação, os efeitos da crise sanitária serão sentidos em longo prazo neste setor. Há quem afirme que esse processo poderá levar décadas.

Os principais dos efeitos esperados são a defasagem nos níveis de aprendizagem (pesquisas indicam que o ensino online foi acompanhada por uma parte dos estudantes) e o acirramento da desigualdade social – e, isso, não apenas entre o aluno da rede particular e da ensino público, o que já está mais do que claro.

Políticas distintas estão sendo tomadas por estados e cidades. No Alto Tietê mesmo, Arujá já definiu que a volta às aulas acontecerá somente em 2021.

Se esse ano está perdido, o próximo deveria de apresentar resultados, menos traumáticos.

É pandemia criou uma situação atípica, de fato. O poder público tem a obrigação, e a sociedade civil, a responsabilidade de não virarem as costas para esse assunto. A experiência de outros países aponta alguns caminhos. Muitos recomeçaram as aulas antes do que o Brasil, onde, mais uma vez, a educação não foi tratada como deveria.


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