A renovação na Câmara de Mogi das Cruzes, com o resultado das eleiçõs municipais realizadas no último domingo, foi mais de personagens do que de conceito, segundo a avaliação de cientistas políticos entrevsitados pela reportagem de O Diário

O desenho partidário do Legislativo, com os 23 atuais eleitos, apresenta pouca mudança, mas na opinião dos especialistas, pode interferir na próxima gestão, dependendo do prefeito que for eleito, o que vai definir o tamanho das bancadas de oposição.

O lado bom do resultado foi o aumento do número de mulheres e de vereadores negros eleitos para o próximo mandato, com início em janeiro de 2021.

Na avaliação do cientista social, Elias Martins Pereira, a renovação na Câmara foi uma espécie de “troca de seis por meia dúzia”, porque os partidos com as maiores bancadas, que apoiam o atual prefeito Marcus Melo (PSDB), continuam praticamente os mesmos, com exceção do aumento de vereadores eleitos pelo partido de Caio Cunha (PODE), que também “não representa” oposição.

“Existem duas situações: os vereadores eleitos com Marcus Melo são os mesmos da continuidade, e os outros, junto com Caio Cunha, representam os mesmos da mudança”, comenta Pereira, professor e coordenador do Instituto de Pesquisa, Marketing Paulista e Informática (Ipempi).

O candidato do PODE, segundo o especialista, apenas não teve mais votos para garantir uma bancada maior porque “nunca se firmou como oposição e ficou sempre no meio do caminho”. 

Pereira acredita que se Cunha tivesse “posições mais firmes e mais clara teria melhor desempenho, porque não adianta achar que a internet só vai alcançar o público”.

Segundo ele, o mesmo poderia ter acontecido com Marcus Melo (PSDB). “A história de corrupção entre os vereadores gerou descrença e essa é uma das razões porque ele foi para o segundo turno, já que a história colou nele pela relação que tinha com a Câmara e isso trouxe prejuízos grande”, considera.

Como especialista nessa área, ele acredita que a organização da campanha de Melo deveria ter feito tudo para desvincular e descolar o nome do prefeito de todos esses eventos, “agido de forma mais radical e nem ter concedido as legendas aos vereadores investigados”.

 Como ficaram os partidos

Na comparação de veredores eleitos para a Câmara de Mogi das Cruzes no último pleito municipal, realizado em 2016, o PSDB manteve agora, na disputa de 2020, as mesmas quatro cadeiras que já possuía.

Enquanto isso, o PL permaneceu com quatro parlamentares, o PV caiu de dois para um e o PSD de cinco para três

O MDB manteve dois, o PSB continua com um, assim como o DEM.

Já o PT cai de dois para um, o PCdoB acabou perdendo a representatividade e o PSOL ganhou uma vaga no Legislativo mogiano, assim como aconteceu com o SD. O PODE elege quatro vereadores. 

 

Cientista político analisa composição

Se Caio Cunha sair vencedor no segundo turno, ele contará com uma base de apenas quatro vereadores: três do Pode e um do SD, podendo ainda contar com um PT e um do PSOL, somando uma bancada de seis parlamentares. 

Todos os outros são da base do atual governo. Caso o eleito seja Marcus Melo, diferentemente do primeiro mandato, ele terá que lidar com um grupo maior de oposição.  

“A postura deles vai depender do critério e de qual vai ser o projeto político do Caio, porque se ele perder agora e depois tentar se aventurar a dar voos para o Estado na disputa à Assembleia, os vereadores podem até serem mais cautelosos e fazer jogo político mais para 2022”, considera o cientista político e professor Afonso Pola.

Ele avalia que o resultado da eleição no segundo turno, que será realizado no próximo dia 29, é que mostrará o desenho da nova Câmara de Mogi das Cruzes, apesar de acreditar que pouca coisa vai mudar, já que considera que “não há uma linha definida de oposição entre os eleitos no partido de Caio Cunha”.