EDITORIAL

Eleições atípicas

Com 319 mil pessoas aptas a votar, Mogi das Cruzes se prepara para uma eleição municipal que ficará marcada pela atipicidade do ambiente pré-eleitoral. Em meio à pandemia, o processo de escolha dos futuros vice-prefeito e prefeito e os 23 vereadores será contaminado pela imposição do distanciamento social, que inibe a campanha nos moldes antigos, com os encontros presenciais entre candidatos e os cidadãos que terão, pelo voto, a oportunidade de qualificar a representatividade popular nos poderes Executivo e Legislativo.

Essa condição lança um super desafio à cidade porque modifica antigos padrões na disputa pelo voto e na apresentação das plataformas de governo, passo primeiro para garantir escolhas mais favoráveis ao aprimoramento das políticas públicas.

Mesmo com o fortalecimento das redes sociais e plataformas digitais notado fortemente nas eleições mais recentes, a eliminação do ritual das reuniões comunitárias com os candidatos terá impacto nos resultados.

Sobretudo nas eleições municipais, o encontro entre o eleitor e/ou líder comunitário ou de bairro influencia os resultados finais.

O esfriamento da campanha poderá ampliar a margem dos eleitores que não participam das eleições. Isso, sem contar, com a insegurança relacionada ao próprio ato de ir votar durante a pandemia da Covid-19. Evitar o contato físico com outras pessoas é um meio de prevenir a doença.

Por estes aspectos, o envolvimento e a transparência dos juízes e dos 35 servidores públicos dos três cartórios de Mogi das Cruzes terão grande peso na condução das eleições que acontecerão no dia 15 de novembro.

Em entrevista a este jornal, na edição de domingo, o juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 74ª Zona Eleitoral, destacou os esforços para garantir a segurança e as medidas sanitárias preventivas aos 319 mil eleitores.

O total de eleitores diz tudo sobre a responsabilidade nas mãos da Justiça Eleitoral e do poder público. Menos de terço dos moradores da cidade não sairá às ruas para votar.

Nas próximas semanas, o que se espera dos candidatos é esse mesmo compromisso: o de preservar a vida das pessoas, neste momento tão atípico, sem deixar que esse cenário de saúde pública seja argumento para não expor pontos de vista e desperdiçar o momento que decide o futuro da cidade.

Há de se reconhecer o comprometimento e atender as decisões do time que responde pela Justiça Eleitoral e projeta maneiras de minimizar os riscos à saúde das pessoas e garantir tranquilidade e segurança no dia da votação.


Deixe seu comentário