Em novembro, Mogi das Cruzes igualou o recorde de mortes no trânsito registrado no mês de maio: foram 10 vidas perdidas em acidentes na malha viária mogiana. Em alguns períodos deste ano, informa a pesquisa Infosiga, da Secretaria de Estado de Segurança Pública, houve uma redução de acidentes e obtidos. Em novembro passado, no entanto,  pela primeira vez, as ocorrências sem vítimas superaram o índice do mesmo mês, em 2019.

Uma coincidência temerária é observada a partir de agosto, quando os acidentes começaram a aumentar e os radares eletrônicos foram desligados pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, após o fim do contrato de prestação de serviços com a antiga empresa que cuidava desta operação.

Seis meses depois, a Secretaria Municipal de Transportes ainda não tem previsão sobre quando as irregularidades voltarão a ser flagradas pelo sistema eletrônico.

Era esperada alguma mudança no perfil da violência no trânsito durante a pandemia da Covid-19 porque houve uma sensível redução da movimentação veículos.  As normas de prevenção à doença, o isolamento social e a retração das atividades econômicas deveriam reduzir os conflitos nas ruas.

De março até agora, nem mesmo o transporte municipal voltou a operar com 100% dos ônibus.

Mesmo com as ruas e estradas mais vazias, não houve a paz no trânsito. Em novembro, foram registrados dois acidentes sem vítimas fatais por dia na cidade. E, a cada três dias, um óbito. É número alarmante. Entre as causas para este tipo de mortalidade está o excesso de velocidade (muitas vezes, turbinado pela bebida alcoólica). O combate à morte nas ruas depende do motorista, do senso de responsabilidade, respeito à vida, que ele tiver.

Mesmo com as iniciativas de conscientização, como a Semana Nacional do Trânsito, essa alta de acidentes, em um ano tão atípico,  deve-se ao fracasso das políticas públicas.

Meio ano sem a fiscalização eletrônica é um período longo demais, que favorece o descuido dos motoristas. Isso passa uma mensagem negativa a quem já não respeita as leis de trânsito. Contudo, esse não é o único problema.

A impunidade também pereniza os extraordinários abusos e absurdos flagrados constantemente em blitze, quando elas acontecem. Inclusive, em alguns dos acidentes fatais deste ano, testemunhas atestaram durante os registros das ocorrências que os motoristas envolvidos estavam alcoolizados.