Novamente comandado pelo prefeito Rodrigo Ashiuchi (PL), de Suzano, o Consórcio para o Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) firma compromisso de atuar regionalmente no enfrentamento da Covid-19. É um acerto.

A interdependência entre as cidades com menor estrutura em serviços de saúde e as mais potentes, como Mogi das Cruzes, obriga mesmo o planejamento de medidas em bloco. Não há como blindar apenas um território da circulação do vírus, e nem conter a superlotação de leitos públicos com a restrição do acesso a qualquer cidadão contaminado, independentemente de onde ele resida.

Essa malha regional administrativa é co-dependente. Afinar as ações dos governos municipais é a única saída. No ano passado, no início da pandemia, essa estratégia foi importante; embora, com o decorrer do tempo, tenha se enfraquecido (algumas cidades, por exemplo, não seguiram as mesmas determinações há pouco, no final do ano, quando todas deveriam determinar a fase vermelha após o feriado de Natal, Mogi foi uma delas).

É notícia positiva a assinatura da carta de intenção entre os prefeitos e a direção do Instituto Butantan, com o objetivo de comprar em conjunto lotes extras da Coronavac, fabricada pela empresa farmacêutica Sinovac.

Os lotes das primeiras vacinas dos governos paulista (prevista para ainda este mês) e federal (prevista para fevereiro) não atenderão todos os integrantes dos grupos mais vulneráveis (idosos, quilombolas, indígenas e profissionais de saúde) de imediato. Para melhorar a proteção da população em geral, a imunização precisa chegar a mais pessoas. Os prefeitos estão dispostos a pagar por isso.

A se confirmar esse plano, de não excluir nenhuma cidade, o Condemat dará um salto na política de saúde regional.

A ideia de se erguer um hospital de campanha regional, para sustentar o repique dos casos da doença, iniciado em novembro passado, aponta para um compromisso que não é apenas político, mas humanitário. A letalidade das cidades da região expõe grave desigualdade entre os municípios menores e os demais.

Não há opção solo no combate à Covid-19 porque a saúde pública é compartilhada. No Hospital Municipal de Braz Cubas, por exemplo, entre 30 e 40% dos pacientes são de outras cidades, que não têm outro local para serem atendidos. Começa bem intencionada a gestão da nova leva de prefeitos do Condemat.