Há um sistemático e preocupante afrouxamento das medidas de prevenção ao coronavírus, sem que os governos federal, estadual e municipal consigam unir as narrativas e implantar políticas eficazes para enfrentar a Covid-19.

Sabia-se que as festas iriam provocar aumento real nas internações e mortes. Podemos medir o grave repique dos casos em Mogi das Cruzes. Reportagem de nossa edição online de terça-feira revela que a média móvel de óbitos subiu de duas para 3,7 mortes. Ou seja, quase o dobro.  

Mogi tem outro dado contundente – o aumento de 18% nas mortes, na comparação entre 2019 e 2020, segundo os Cartórios de Registro Civil.

Uma pandemia tem reflexos incontroláveis, como estamos aprendendo. E tudo fica pior no Brasil pela falta de comando no governo federal. Presidente, governador e prefeitos têm cuidado dos interesses próprios. Há uma divisão política e ideológica que prejudica o combate à pandemia. Soma-se a isso, o que bem disse o ex-secretário municipal de Saúde, Marcello Cusatis, a este jornal: “as pessoas estão pagando para ver” e, por isso, não tomam mais os cuidados recomendados, como o uso da máscara facial.

Lá se vai quase um ano regido por esta peste. Há uma lição pessoal a ser entendida pelas pessoas. Porém, cabe aos governos gerirem a crise com responsabilidade e rigor do cumprimento dos decretos, na imunização das pessoas e no atendimento ao que diz a ciência.

O problema é que os governos ditam regras que não são fiscalizadas. Aliás, tem prefeito que posa com máscara só quando há câmeras por perto.

Outra coisa: os poderes Legislativo e Judiciário têm meios de banir os maus gestores, os que negligenciam a vida ou pregam inverdades e o negacionismo. Parlamentares, promotores e juízes também são co-responsáveis por tantas mortes e por absurdos como a falta de oxigênio em Manaus e as falhas na busca pelas vacinas. Sem uma gestão compromissada, as vacinas chegarão ainda mais tarde. Vacina não brota do nada.

Falta melhorar a comunicação com o público, como assinala Cusatis. “O povo só acredita vendo. Temos que fazer campanhas e pregar informação como consta no maço de cigarro, mas mostrando pacientes entubados, e que os óbitos agora atingem pessoas de 50 anos para baixo, mostrando que a pessoa pode morrer ou perder os parentes.”. Fórmulas existem.