O início da Campanha Municipal de Vacinação Contra a Covid-19 é um passo esperado para transformar a pandemia em uma epidemia. As duas últimas semanas foram marcadas pela sensação de alívio dos primeiros trabalhadores da saúde, idosos e seus familiares atendidos.Afortunadamente, a procura demonstra que a maioria não está contaminada pela narrativa negacionista e antivacina.

Em Mogi das Cruzes, pouco menos da metade do grupo prioritário com 90 anos ou mais foi imunizada nos dois primeiros dias no esquema de drive thru, com a aplicação de 740 doses da  vacina sem que o paciente saia de dentro do carro.

Mesmo com a fila e a espera de até quatro horas, a percepção era mais de alívio do que decepção com a demora. Há de se lembrar que os mais velhos estão na linha de fogo do vírus porque compõem a faixa etária que mais complicações e mortes registra.

 O Brasil começa a vacinar com dois meses de atraso em relação a outros países que fizeram o certo: escutaram os cientistas e se prepararam desde o ano passado para um momento que não é tão simples como o Ministério da Saúde faz parecer. Tanto que o ritmo de imunização, mesmo em São Paulo, que começou a planejar essa operação com antecedência, não é o mesmo em todos os estados.

Mesmo com décadas de experiência em programas semelhantes, no combate a doenças, como a gripe, os municípios têm dificuldades em rapidamente executar uma estratégia que escapa da normalidade – que é a aplicação da vacina nos postos. Isso se explica pela excepcionalidade de uma pandemia e dos imunizantes (que têm diferentes meios de conservação e manuseio).

A isso pode ser debitada a dura espera imposta aos nonagenários de três a quatro horas no sábado e domingo, na fila para tomar a vacina. Por mais que o momento seja de comemoração – pelo acesso à imunização, o esquema preparado precisa ser revisto.

Como disse o secretário municipal Henrique Naufel, dois dias a menos de espera pela vacina significa muito na vida dos idosos, que podem se tornar as próximas vítimas. 

Sabemos que há muitas preocupações, como a falta de vacina e o receio de uma terceira onda de Covid. Porém, melhorar o esquema de atendimento é obrigação do governo municipal, a quem compete promover a eficiência desse processo e bem cuidar de quem mais fez pela cidade até hoje.