MENU
BUSCAR
EDITORIAL

Uma realidade assustadora

“A superioridade da gravidade da pandemia neste ano é uma realidade até assustadora”, afirma a médica Tereza Nihei

O DiárioPublicado em 24/05/2021 às 17:07Atualizado há 21 dias
O Diário
O Diário

Profissional experiente e sempre embasada pela ciência e números concretos, a médica Tereza Nihei, da Vigilância Epidemiológica de Mogi das Cruzes concedeu a O Diário, na edição do final de semana, uma esclarecedora entrevista sobre a gravidade da segunda onda de Covid-19. 

Em uma análise sobre o aumento da infecção e do número de mortes, ela afirma que apenas a imunização em massa - ainda longe de ser ampla, no Brasil, onde o Ministério da Saúde prevê chegar aos adultos com 18 anos ou mais apenas no final de ano - poderá mudar o perfil epidemiológico dessa trágica doença. 

Ela confirma que desde o início deste ano, a evolução da pandemia é inversamente proporcional à implantação de medidas de prevenção e proteção. “Quanto mais pessoas cumprirem os protocolos sanitários, menor será a taxa de transmissão”. O problema é: sem vacina para todos e com os índices de isolamento social menores, as cidades continuarão com o mesmo perfil de casos.

Em Mogi das Cruzes, morreram mais pessoas de janeiro a meados de maio do que de março a dezembro passado, ano inicial da pandemia.

Para a médica, “a superioridade da gravidade da pandemia neste ano é uma realidade até assustadora. Sabe-se que o aumento da transmissão depende de fatores como os baixos índices de isolamento social em razão do cansaço natural das pessoas, e a estabilização do número de casos que ocorreram no final do segundo semestre de 2020, ainda que tenha sido em patamares não satisfatórios. Isso trouxe uma falsa sensação de segurança e consequente relaxamento das medidas de proteção. Muitos tiveram necessidade de retomar o seu trabalho para sobrevivência e pela longa duração da pandemia”, comenta. 

A chegada de variantes transmissíveis e grande parte da população suscetível são motivos de alerta. Com a atual velocidade da imunização, os índices de contágio podem ser reduzidos, mas não eliminados. 

Esse, defendemos, é o apontamento a ser considerado pela população e autoridades, que seguem pressionadas pela flexibilização das medidas preventivas.

O rejuvenescimento das vítimas tanto pode ser debitado à demora da vacinação, como ao fato de que as pessoas mais jovens continuam saindo mais de casa para trabalhar, estudar, rezar, viajar e até aglomerar (em alguns casos). Ainda não é hora de sair sem máscara, como governantes, como o próprio presidente Jair Bolsonaro tem feito.

ÚLTIMAS DE Editorial