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EDITORIAL

Um fio de esperança - mãe procura o filho desde 1986

Busca de Divanei pelo filho Kennedy Robert Pereira completa 35 anos sem resolução para o mistério que intriga a cidade até hoje e teve início no bairro da Ponte Grande

O DiárioPublicado em 09/04/2021 às 14:26Atualizado há 1 mês

Tão intrigante como o mistério que ronda o desaparecimento do menino Kennedy Robert Pereira, de uma das tranquilas ruas do bairro da Ponte Grande,  em 11 de abril de 1986, é a força e a obstinação de Divanei e Pedro, pais do garoto, ao longo dos últimos 35 anos.

Essa busca incansável é a melhor tradução para a esperança, que teve um de seus primeiros conceitos formulados por Heráclito de Efeso, na Grécia Antiga, e que impulsiona o homem a dar mais um passo, quando tudo parece não ter sentido, rumo ou solução.

Disse Heráclito, “quando não se espera, não se encontra o inesperado”. Foi assim que Divanei viveu todos os dias, em três décadas e meia. A expectativa do encontro com o filho e da confirmação de uma pista, uma dica, foi marcada, e este jornal pode abalizar isso, por muita batalha e empenho. Nessa caminhada, a procura da família perpassa pelas revoluções da comunicação e das ferramentas disponíveis para o encontro de desaparecidos. 

Divanei fez parte de grupos de Mães de Pessoas Desaparecidas, de cadastros oficiais, de ongs ligadas a essa causa, até chegar, recentemente, à inclusão de seu nome em um banco de dados de DNA internacional, que iluminou um fio de esperança, no caso dela, nunca apagado diante das respostas frustradas.

A espera de Divanei é ativa.  Assim como narrativa jornalística acompanhada por este jornal, que também mudou, durante esse período, adaptando-se ao meio digital.

A nossa Divanei personifica a personagem Lourdes, de Amor de Mãe, a novela global que terminou ontem. Mas, essa é uma mãe de verdade. 

Assim como a dona Lourdes, do folhetim, a nossa Divanei encontrou filhos postiços que não se perderam após a descoberta de que eles não eram o garotinho loiro, de olhos claros, cujo desaparecimento mobilizou toda a cidade, no final da década de 1980.

Ela descobriu quantas crianças brasileiras criminosamente, ou não, são retiradas das casas dos pais biológicos.

O desaparecimento de crianças (e jovens e pessoas de outras idades) faz parte de um drama antigo, sustentado pela política do apagamento e cancelamento de pessoas e histórias. Esse é um problema muito grave negligenciado pelo estado e pelas polícias.

Uma das manchetes que este jornal gostaria de dar é: Divanei encontra Kennedy. Ou então uma outra, Polícia desvenda o mistério do desaparecimento de Kennedy. Ninguém some, dessa maneira. Raptos, venda de pessoas e outras violências deste naipe contra crianças e adultos separados das famílias prosperam pela impunidade e incapacidade das forças policiais investigarem esses casos.

  

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