Até a semana passada, o Governo do Estado não admitia o que já era esperado por este jornal e seus leitores mais observadores: as obras de duplicação da rodovia Mogi-Dutra, entre Mogi das Cruzes e Arujá, serão entregues incompletas.

Além daquele 1,3 quilômetro final, enroscado pela falta de um acordo para a desapropriação de um imóveis, outro trecho, de 1,5 quilômetro não foi finalizado a tempo.

O cronograma de duplicação da estrada previa o término em dezembro. Em nossas últimas reportagens, o jornalista Natan Lira vinha questionando a morosidade e a improbabilidade de se entregar a tempo um serviço que deveria ter sido concluído no ano passado.

Agora o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) não conseguiu prever quando o usuário conseguirá desfrutar da segurança em todo o trecho. Fala em mais “algumas semanas” para colocar todos os pintos nos “is”.

É lamentável esse novo atraso. Denota um descompromisso com os milhares de usuários diários e com os moradores da região do Alto Tietê.

Desde 2005, a duplicação dos 7,5 quilômetros finais da Mogi-Dutra é cobrada pelo contribuinte.

Esse descuido com algo tão importante para as cidades do Alto Tietê já deixou, faz tempo, de ser aceitável. Caminha para 16 anos de espera por um projeto que entrou e saiu do orçamento do DER ao sabor da falta da vontade política do governador da vez.  

Por um outro lado, também apavora a falta de pressão política por parte dos prefeitos e deputados que representam Mogi das Cruzes, Arujá e as demais cidades do Alto Tietê.

A imprevisibilidade sobre a duplicação não pode ser colocada na conta apenas dos técnicos do DER.Claro que pontualmente, situações como a falta da desapropriação de um terreno para concluir uma obra planejada há quase duas décadas,  maculam o poderio técnico e estratégico desse órgão. 

 Veja, são apenas 7,5 quilômetros de uma estrada. Este não é nenhum projeto de alta complexidade. É uma duplicação. E só.

A história dessa obra é uma vergonha para o comando de um estado do calibre econômico de São Paulo. Atesta amadorismo, incompetência. E também demonstra como órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público, e até própria sociedade civil organizada andam desarticulados para a defesa dos interesses da população regional.