Seguramente, o Poder Legislativo de Mogi das Cruzes encerra um dos piores anos de sua história. Um ano para ser esquecido Em meio à pandemia e a todos os problemas criados por ela, a cidade se viu no centro de um escândalo político.

Desencadeada pelo Ministério Público, a operação Legis Easy levou seis vereadores à prisão, após denúncia acatada pela Justiça por três crimes: corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os seis negam os crimes. 

O parlamento sai bastante ferido de um episódio gravíssimo: um em cada quatro vereadores ficou impedido, por decisão judicial, de até mesmo entrar naquela casa.

Na última sessão do ano, a retirada do fundo das causas esquecidas de quatro projetos de lei de combate à corrupção chega a ser contraditório. Até pelo fato de essas propostas apresentadas há tempos pelo vereador Caio Cunha (PODE) terem sido solenemente desprezadas pela casa até o momento.

Não é fácil romper com o corporativismo e nem com os pequenos e grandes vícios perpetuados por uma parte dos políticos que assumem cargos no poder público. 

É simbólica, porém, a aprovação desses projetos em um ano que a Câmara precisa rever posturas e atitudes.

O conjunto de medidas ataca de frente problemas conhecidos, que devem ser exemplarmente combatidos. As novas leis criam ferramentas interessantes como o controle do uso dos veículos oficiais, a plena divulgação de agendas,  além da transparência das informações públicas como a destinação dos valores arrecadados, a relação de gastos com publicidade e comunicação e o uso dos valores de emendas parlamentares.

Os novos vereadores têm oportunidade de encarar o presente e construir melhor narrativa nos próximos quatro anos. Mogi merece uma Câmara limpa, honesta, defensora dos interesses coletivos, jamais dos pessoais.  

Outra coisa, vale ficar de olho na Lei de Acesso à Transparência, que está para ser regulamentada e será potente artifício para qualificar o governo municipal. Executivo e Legislativo andam juntos. Como disse a jornalista Jamile Santana, a este jornal, é preciso entender que “o movimento por transparência não é político, é um direito”. A sociedade tem cota de responsabilidade na fiscalização e troca de representantes, quando estes cruzam a linha da moralidade e decência no exercício dos mandatos.

Sua voz

O motivo dessa mensagem é pedir aos jornalistas de O Diário  que fiquem atentos  para os prazos dados pelo DER em relação ao  projeto do desvio anunciado para corrigir a terrível falha da falta de duplicação no trecho final de quase 2 km da ligação Mogi-Via Dutra. Se não me falha a memória, neste final de ano já deveria estar pronto o projeto  do tal desvio que irá retirar a rodovia do terreno  cuja proprietária não chegou a um acordo com o DER nas negociações para desapropriação de sua área.

É bom vocês ficarem atentos porque nessa virada de ano, com posse de novos políticos nos vários municípios do Alto Tietê, pode ocorrer um surto de amnésia tão comum nos homens do governo estadual, a ponto de se esquecerem das promessas feitas a este jornal, não faz muito tempo.

Não deixem que isso aconteça!

Carlos Theodoro de Luquet César de Souza, Mogi das Cruzes