As chuvas mais fortes que têm caído sobre Mogi das Cruzes nas últimas semanas serviram para expor problemas que desafiam as autoridades locais já há algum tempo.

Um deles é a falta de drenagem mais eficiente nas ruas, onde apenas alguns minutos de chuva são suficientes para alagar os pisos dessas vias, fazendo com que a água transborde para as calçadas, onde os pedestres e lojas são duplamente prejudicados.

Sem um escoamento rápido, a água acumulada sobre os passeios não permite que se caminhe por ali sem que os calçados fiquem completamente encharcados.

Já a passagem dos veículos pelos leitos das vias, que, em poucos minutos se transformam em verdadeiros rios, acaba por atirar a água sobre os pedestres e também no interior das lojas, trazendo prejuízos para os comerciantes, especialmente aqueles acostumados a expor os seus produtos junto às entradas de seus estabelecimentos.

Tais problemas, valem lembrar,  acontecem em razão do processo contínuo de impermeabilização do solo, com a colocação de asfalto em inúmeras ruas e avenidas da cidade, sem que tais obras sejam acompanhadas de ampliação dos respectivos sistemas de drenagem para aumentar a capacidade de escoamento das águas pluviais, de maneira mais rápida e eficiente.

Tratam-se de obras aparentemente simples, se tivessem sido executadas durante o processo de preparação das vias para o asfaltamento. Como isso não aconteceu, a execução hoje de tais serviços vai demandar gastos muito maiores. E como não chove todo dia, o problema vai sendo empurrado com a barriga, sem que seja ao menos discutido pelas autoridades.

A outra questão, também relacionada aos dias de chuva, são ligações feitas irregularmente para retirar a água das calhas ou quintais das residências. Por falta de uma fiscalização mais adequada, há imóveis onde o escoamento da água é feito na parte superior da calçada, sendo que o cano usado para isso deveria passar por debaixo do passeio, levando a água diretamente para a rua.

Mas há coisas piores, como alguns sobrados que despejam as águas das suas calhas diretamente sobre as calçadas, provocando verdadeiras cachoeiras, que obrigam o pedestre a se desviar para o centro da rua, correndo o risco de ser atropelado por algum veículo.

Uma fiscalização mais intensa durante os dias de chuva poderia notificar os proprietários de tais imóveis para que as falhas fossem corrigidas.

Afinal, em ambos os casos, os pedestres são sempre os grandes prejudicados.