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EDITORIAL

Segurança hídrica

O baixo nível da reserva de água e as condições climáticas vividas neste ano, com menos chuva, confirmam que muito mais precisa ser feito para garantir a segurança hídrica

O DiárioPublicado em 02/06/2021 às 19:53Atualizado há 12 dias
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Acompanhado há meses, o déficit de chuvas é responsável por um alerta de emergência hídrica expedido pelo governo federal na semana passada. 

Quatro estados, entre eles, São Paulo, começam a novamente se preocupar com a falta d’água. Nesta esteira, o país inteiro se volta para um outro drama: uma eventual escassez de energia elétrica e a alta do valor da conta de luz.

Em Mogi das Cruzes, apesar de um salto negativo de 30 pontos no nível do sistema produtor de água do Alto Tietê, a direção do Semae (Serviço Municipal de Águas Esgoto) adota posição semelhante à da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e descarta risco de desabastecimento, mas solicita economia no uso da água.

Os números, sempre eles, nos dizem que há motivo para preocupação. A queda na reserva de água nas barragens implica, diretamente, em uma menor condição para a captação e o abastecimento de parte da cidade.

Em março, o menor nível do Tietê, na Estação de Captação, foi de 1,25 metro. No ano passado, essa régua chegou a 1,50 metro, neste mesmo período, e, em 2019, a 1,52 metro.

De acordo com a Sabesp, a média de chuvas em março de 2021 foi de 125,6 milímetros, 25% abaixo da média histórica do mês (167,6 milímetros). 

Esses números e as condições climáticas que o Brasil acompanha, com menos chuva durante os meses do verão, demonstram que muito mais precisa ser feito para garantir a segurança hídrica no presente e no futuro.

Recurso natural finito, a água carece - e faz tempo - de políticas públicas mais agressivas para a preservação das nascentes na região do Alto Tietê.

A pressão imobiliária e a ocupação de grandes glebas verdes impactam diretamente na produção do bem maior para a sobrevivência do homem. 

É hora de garantir a economia necessária para os próximos meses. E mais: de cuidar do futuro do abastecimento de São Paulo. 

Na seca de 2014, muitos foram os sinais desconsiderados pelo poder público. Até que a corda arrebentou para o lado mais fraco: o consumidor e, no caso específico do Alto Tietê, o agricultor, que se viu de mãos atadas diante da ação brutal que os impedia de usar a água para manter suas propriedades e a produção agrícola. Rememorar esses fatos duros nunca foi tão necessário.

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