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EDITORIAL

Questão de humanidade

O primeiro auxílio emergencial criado pelo governo municipal merece ser reconhecido

O DiárioPublicado em 14/05/2021 às 18:31Atualizado há 1 mês

Principalmente nas manhãs de finais de semana, não passa despercebido a quem observa com atenção a rotina da cidade e das pessoas, o aumento de moradores - e até famílias, pedindo dinheiro e comida nos semáforos dos pontos estrategicamente escolhidos e concorridos.

Alguns mogianos começam a relatar algo que não era tão frequente: pessoas batendo à porta pedindo um prato de comida.

São os mais miseráveis e pobres, as maiores vítimas da pandemia, como confirmam estudos focados no empobrecimento e no enriquecimento desde o ano passado.

O estudo “O vírus da Desigualdade”, apresentado pela Oxfam, no Fórum Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro passado, reflete que esse flagelo humanitário se apresenta como o pior em 100 anos e terá impacto em todos os países.

As análises preveem que os mais pobres poderão levar até 14 anos para restabelecer as condições econômicas vividas antes de 2020, enquanto os mais riscos, levaram apenas nove meses.

Aliás, a concentração da riqueza que já estava nas mãos de 1% da população mundial em 2019 foi ainda mais acelerada e flagrante nos últimos meses.

O Brasil, naquele ano, segundo a ONU, era o sétimo, no mundo, no ranking da desigualdade, e o segundo na concentração da riqueza: 1% dos brasileiros detinha 28,3% da riqueza.

Não serão ações como a distribuição de cestas básicas e de auxílio emergencial que irão mudar esse trágico e histórico quadro.

No entanto, para dizer o que cabe mesmo no momento: é o que temos.

Nesse viés, o primeiro auxílio emergencial criado pelo governo municipal merece ser reconhecido. Muitos dirão, R$ 100, é pouco. Mas garante algum alento a quem não tem nem emprego.

Da mesma forma, outras iniciativas, como as capitaneadas pelos organizadores da Festa do Divino, pelo Mogi Basquete, por igrejas de todos os credos, ongs e pessoas físicas alimentam o espírito da solidariedade e de comunidade, que Mogi das Cruzes sempre cultivou.

Como dissemos, não será a cesta básica de um mês, que vai mudar a gravidade da situação deixada pela recessão econômica. O cidadão precisa, óbvio, cobrar dos governos o que precisa ser feito: a reforma tributária e administrativa, o combate à corrupção e desperdício do dinheiro público, a melhoria da educação - ponto vital para reduzir desigualdade social.

A distribuição do alimento, signo da Festa do Divino, aliás, é uma maneira de alimentar o status de humanidade e gentileza da cidade e de construir um presente pouco melhor.

O aumento dos pedintes nas ruas era esperado. Melhor ensinar a pescar, do que dar esmola. Sim, porém, no entanto, não há o que pescar para uma boa parcela dos mogianos.   

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