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EDITORIAL

Quem vamos seguir

A merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes, que ajudou a salvar vidas na Raul Brasil, em Suzano, não desistiu e já sonha alto: busca ser professora

O DiárioPublicado em 16/04/2021 às 16:00Atualizado há 26 dias

No dia seguinte à pior tragédia vivida por Suzano, a merendeira Silmara Cristina Silva de Moraes foi trabalhar na escola estadual Professor Raul Brasil, no Jardim Imperador. Quando se lembra do que ocorreu após o atentado que terminou com a morte de cinco estudantes e dois funcionários da unidade, o tio de um dos executores, e os dois ex-estudantes que planejaram o massacre tão vil, Silmara assim pensou: pais e alunos iriam à escola para saber como a vida seria tocada a partir daquele ponto. Alguém teria de atendê-los.

Esse pensamento nos permite ter uma ideia da professora que Silmara se transformará, quando concluir o faculdade de Pedagogia, que está cursando. Até dois anos atrás, essa suzanense de 51 anos exercia o cargo de merendeira, mas já era uma educadora.

Esse exemplo inspirador foi escolhido por O Diário para dizer que há um futuro a ser escrito  após perdas e fracassos de qualquer natureza. E esse futuro pode ser para melhor.

No livro A Era do Extremos, Eric Hobsbawn, na conclusão sobre “o breve Século XX”, diz  que “se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado e do presente”.

O massacre de Suzano lançou a pergunta: como combater a cultura da violência? Silmara deu a resposta na manhã do dia 14 de março de 2019, ao entender que a escola precisava permanecer aberta. Há muito o que ser feito pela educação formal no Brasil. A pandemia só fez reforçar essa urgência.

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