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EDITORIAL

Queimadas e o nosso futuro

Reflexos das queimadas vão da perda das ilhas verdes que ordenam a qualidade do ar e o clima, à ampliação dos riscos à saúde de quem tem problemas respiratórios

O DiárioPublicado em 14/07/2021 às 19:31Atualizado há 14 dias
Foto: reprodução
Foto: reprodução

Entra ano, sai ano, as queimadas e outros sequestradores da qualidade do ar e do clima são combatidos pontualmente. O susto de funcionários e pacientes do Centro de Reabilitação Dr. Arnaldo Pezzutti Cavalcanti, na tarde de terça-feira, não será tratado na fonte, ou seja, no desenvolvimento de medidas que reduzam as causas do fogo em mata e os efeitos nocivos para a fauna e a flora no presente e no futuro. Pelo menos, não que se saiba.

Citamos esse exemplo, mas outras grandes áreas sofrem com o problema que, é vital lembrar, os dois últimos verões enfumaçaram Mogi das Cruzes e destruíram áreas extensas. Esse problema começa agora, no inverno.

Há labaredas acidentais, entre aspas, e também a cultura da limpeza de terrenos vazios com o fogo. 

Em nossa cobertura jornalística, este jornal observa que as lideranças ligadas aos setores ambientais ou de prevenção a acidentes se limitam a lamentar e reforçar a importância da conscientização. O problema é: isso não tem dado resultado. 

Os prejuízos dessa prática vão da perda das ilhas verdes responsáveis pela qualidade do ar e o clima, até a ampliação dos fatores de risco à saúde e doenças à população que sofre com problemas respiratórios.  

Mogi tem grande extensão territorial e parte desses incêndios sequer são controlados porque o Corpo de Bombeiros não tem força humana capaz de dar conta de um trabalho tão específico. Falta o aparato de uma política pública de resultado. Falta, até mesmo, a participação do Ministério Público, na busca de resultados. Algo que amplie a conscientização, fiscalize autores contumazes do fogo usado para limpar os terrenos - com multa, punição.

O adensamento urbano em regiões que fazem limite com a mata, nos bairros da Divisa, Rodeio, Ponte Grande, Volta Fria, César de Souza, Botujuru, Jundiapeba, e outros, é caminho sem volta.

Sem o combate concreto e perene, com a consicentização, fiscalização, punição e controle dessas queimadas, a vida em Mogi tente a ficar insuportável nos períodos de seca. 

A supressão da mata reduz o território usado pelos animais que migram entre as serras do Itapeti e do Mar. Não por acaso, os flagrantes de animais ariscos, como o veado-catingueiro encontrado ao lado da Upa do Rodeio, dias desses, são cada vez mais frequentes. Quem deve cuidar disso, e não está cuidando bem, é o poder público. Além do cidadão, porque a cidade reflete o modo de viver de seus moradores.

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