Prevaleceram bom senso e responsabilidade na decisão de adiar o início da restrinção do acesso da população ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar. Como dissemos neste espaço, não é o momento adequado para se alterar as regras de funcionamento de um serviço público tradicional que responde, por mês, pelo acolhimento a 30 mil pessoas, residentes nas cidades do Alto Tietê e outras regiões do Estado.

Há alguns anos, os gestores públicos estaduais e regionais planejam referenciar o PS do Luzia, para que o lugar passe a receber apenas pacientes graves, encaminhados por ambulâncias e outras unidades como as UPAs. Escolheram a pior hora, em meio à pandemia da Covid-19, para colocar o projeto em ação. E foram pressionados a desistir de tal ideia.

A mudança é apresenetada como um meio de se distribuir melhor os recursos humanos e materiais da rede pública. Hoje, segundo a direção do hospital, 70% das pessoas ali assistidas têm queixas simples, que poderiam ser tratadas nos postos de saúde.

Cá entre nós, o sucesso do Luzia tem razão de ser: o paciente bate à porta deste hospital porque sabe que terá os médicos e exames certos para tratar as suas dores, mesmo enfrentando a espera e corredores lotados.

Ninguém anda quilômetros com um filho, pai ou mãe em um trem ou dentro do carro em busca de um médico sem motivo. Nesta hora, o cidadão procura a solução que um postinho de sáude perto de casa não dá.

Aliás, essa história de que a rede primária se expandiu em número de postos e unidades de saúde, simplifica demais o gargalo da saúde pública regionais. O cidadão procurresolutividade, rapidez e confiança no diagnóstico, tratamento e cura.

Quem depende de um posto sabe que são poucos médicos, poucos horários para consultas e um acompanhamento ainda frágil após a descoberta de uma doença na maior parte do Alto Tietê. Por isso, Mogi das Cruzes flagra tantas pessoas de outros municípios no Sistema Integrado de Saúde, o SIS,

É utopia achar que restringir o PS do Luzia aos casos graves vai superar essa desestrutura.

Menos mal que a pressão política funcionou. Até o dia 31 de janeiro, as prefeituras e a Secretaria de Estado de Saúde prometem preparar o ambiente para, então, mudar a porta de entrada do PS do Luzia. Tomara que quando isso acontecer, a população não caia do céu ao purgatório.