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EDITORIAL

Pichação, tema sensível

Muros criativos e coloridos são registros dessa fase vivida na cidade, a partir da expressão do autor do La La La Dog, o artista João Ricardo Vieira Santos

O DiárioPublicado em 20/07/2021 às 19:05Atualizado há 7 dias
Tema gera debate / Divulgação - Pixabay
Tema gera debate / Divulgação - Pixabay

É notícia um tema sempre sensível e polêmico por esbarrar na distinta linha entre o grafite, uma expressão artística, e a pichação, após a morte de um homem que estava pichando um imóvel em Mogi das Cruzes, ao lado de dois outros amigos.

Não vamos entrar no mérito entre essas linguagens que se valem da visiblidade das ruas e se propaga por gerações milenares como documento de uma época e cultura (há imagens em pedras, praças, banheiros, bares). Mas, esse acidente fatal não é único na crônica da cidade. Há alguns anos, um adolescente foi a vítima fatal de um acidente semelhante, na região central.

A pichação de paredes particulares ou públicas, sem autorização para isso, tem como propulsor o desafio. No mais das vezes, lugares inseguros são os mais valorizados.

Nesse ponto, a história rasteia algo que precisa ser debatido, avaliado e tratado, especialmente quando potenciais vítimas podem ser jovens mogianos  despreparados e desatentos. Basta um passo em vão.

Há algum tempo, a valorização do grafite em Mogi das Cruzes tem rendido experiências peculiares. Sobretudo em escolas onde educadores e a rede de pais caminha para estreitar o diálogo com as novas gerações. A valorização da arte e da escuta sobre o que o pensa e sente o jovem cria laços entre a escola e o estudante.

Muros criativos e coloridos são registros dessa fase vivida na cidade, a partir da expressão do autor do La La La Dog, o artista João Ricardo Vieira Santos, o Jaum, e de um projeto desenvolvido pelo poder público municipal na mentoria de encontros que uniram artistas e talentos em fase de descoberta. O muro da estação de trem foi um dos alvos.

Agora, na pandemia, mesmo desbotadas pelas marcas do tempo, pinturas em escolas públicas são um acervo desse passado recente.

O acidente desta semana lembra que esse assunto volta ao cenário mogiano de maneira preocupante.

A pichação não é bem-vinda. Desvaloriza o espaço público, deteriora a relação entre autores e os donos dos imóveis que não querem ter seus bens entulhados de riscos e nomes que a maioria das pessoas sequer conhece.

Combater a pichação, que é crime, inclusive, é dever do estado. Um a infração que deve ser punida, aliás.

Cuidar para que os autores não sejam enredados em acidentes trágicos é responsabilidade também do poder público, dos pais, educadores, artistas do grafite e sociedade.

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