No Brasil devastado por tantas mortes, perdas, desemprego e fome, a discussão sobre a manutenção dos cultos religiosos coletivos em meio à aguda fase de contaminação e óbitos causados pela Covid nos deixa mais do que apreensivos, estarrecidos. Essa queda de braço tira o foco do enfrentamento dessa crise sem precedente para na vida de nossa geração.

A judicialização do combate desta peste será mais uma face da história destes dois anos que será lembrados, no futuro, por terem maltratado profundamente o tecido social brasileiro. Ninguém consegue medir, de onde estamos, agora, sem leito hospital, sem vacina e sem emprego, como o país ressurgirá e quando irá se recompor após o brasileiro conseguir acordar ou ir dormir, sem se preocupar com o risco de ser infectado e de morrer por falta de insumo ou respirador. 

Somente quando isso acontecer, as pessoas poderão ter tranquilidade para ir à escola, ao mercado, ao culto ou missa, à casa dos pais e dos avós, aos parques e praças. Para isso, os moradores de todas as cidades precisam obedecer a cartilha temporária da pandemia.  É o que todos os países estão fazendo.

Enquanto o Conselho Nacional dos Pastores e do PSD  quer derrubar o decreto do Governo do Estado de São Paulo, que proibiu atividades coletivas nas igrejas,  e os ministros  do  Superior Tribunal Federal (STF) precisam intervir e ainda divergem sobre a propriedade da norma estabelecida no Plano SP, as mortes atingem índices insustentáveis. Há centenas de pessoas sofrendo à espera de um leito de UTI. 

Situações como essa, enquanto se sabe que o isolamento social reduz a curva de contágio, desviam o olhar da sociedade para o que realmente está eliminando nossos parentes, vizinhos e amigos: a falta de uma unidade nacional na condução da crise. O Brasil pode ser comprado a um trem desgovernado, sem maquinista.

Lideranças fariam um bem daqueles se não complicassem um ambiente que, definitivamente, não está favorável às aglomerações. 

Em nossa edição de hoje, mostramos o fosso existente entre a realidade dos sepultamentos dos mortos pela Covid e os números oficiais. Há um atraso na composição do tamanho da  pandemia - já identificado em outras reportagens deste jornal. Vivemos uma crise tão peculiar que não conseguimos, ao menos, contar os mortos. Isso sim, merece a atenção dos pastores, padres, ministros, prefeitos, presidente...