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EDITORIAL

Pausa para falar sobre o luto; leia o editorial de O Diário

A obra de Carla Pozo e do Instituto Léa Campos abre janela para falar do luto, em primeiro lugar, mas também sobre como estamos vivendo e vamos sair da pandemia

O DiárioPublicado em 28/06/2021 às 17:33Atualizado há 1 mês
Foto: arquivo / Eisner Soares / O Diário
Foto: arquivo / Eisner Soares / O Diário

Às primeiras homenagens às vítimas mogianas da Covid-19,  a exposição literária e itinerante Vista-de de Poesia entrega, a Mogi das Cruzes, uma benfazeja oportunidade de refletir sobre a pandemia e os seus reflexos na vida das pessoas que perderam pais, mães, avós, bisavós, filhos, irmãos, parentes e amigos, e na sociedade.

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No atual estágio dessa crise sanitária, a caminho dos 1,4 mil mortos na cidade, talvez não se encontre mais quem não tenha um conhecido ou familiar infectado ou sepultado por causa do coronavírus.

A vítima fatal é a maior perda de uma doença contra a qual não se tem a cura. Porém, em algum sentido, toda a humanidade é vítima em alguma proporção. O mundo está mais pobre (para uma maior parte dos habitantes). A educação e a formação das gerações futuras - mesmo em países desenvolvidos - terão reflexos no futuro.

A luta pela sobrevivência, o longo tempo de enfrentamento desse vírus e outros sentimentos vividos desde 2020 afetam emocionalmente as pessoas. Mesmo as que negam a excepcionalidade de uma pandemia.

A ideia da escritora Carla Pozo, abraçada pelo Instituto Léa Campos, abre janelas para falar sobre o luto, talvez em primeiro lugar, mas também sobre como estamos vivendo e vamos sair desse redomoinho.

O evento reúne uma exposição de poesias e peças de roupas da mãe de Carla Pozo, a conhecida pastora Marlene Santana Caetano, que morreu no mesmo dia, apenas algumas horas antes do marido, o pastor Aparecido Laudevino Caetano. Um catálogo digital e lives para difundir vivências e as possibilidades de cura para o luto.

Traz no convite uma acertada provocação: em muitas situações, sociedade estimula o silêncio: “não pode isso”, “porque chorar tanto tempo”, “porque reclamar da demora das vacinas”, ou ainda, “um dia todo mundo vai morrer”.

A ideia do “Vestir-se de Poesia” propõe a arte, a escuta e a interpretação  da pandemia, seus efeitos, perdas e até reconstruções. E tem algo que este jornal gostaria de divulgar mais: o respeito à memória de quem não teve a chance de se proteger contra a Covid-19.  O artista plático Mauricio Chaer, com suas escadas, fez um das primeiras homenagens na cidade. O poder público ainda não aventou nada mais consistente como um memorial. A pandemia impõe outras urgências. No entanto, a cidade precisa entender que registro da história salvaguarda a experiência passada para reduzir erros no futuro.

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