Com oito novos inquéritos abertos por dia, a Polícia Civil de Mogi das Cruzes não consegue dar as respostas às vítimas e seus familiares. Isso não é de agora. Reportagem publicada por O Diário reúne diversos casos sem respostas e sensibiliza, sobretudo, quando a violência envolve grandes mistérios - aparentemente insolúveis – como  as chacinas e homicídios ocorridos entre 2013 e 2015, que ainda deixam dúvidas sobre a autoria dessa série de execuções, ou o desaparecimento mais recentes da transexual Nathaly Lily.

A falta de recursos humanos e materiais na investigação policial é histórica. E concorre para favorecer a injustiça, a criminalidade e a impunidade. Ainda mais, agora, por causa da pandemia, a desmobilização e falta de cobranças atacam ainda mais os direitos da vítima.

Vítimas sobreviventes ou familiares dos que foram mortos vivem um terrível pesadelo porque têm a vida norteada pela dúvida, incerteza e a revolta pela injustiça. E, o mais grave de tudo,  correm o risco de verem o tempo prescrever os crimes, o que inviabiliza a reparação dos danos materiais e morais.

Esse é o grande impasse do grupo Mães Mogianas. Apenas uma parte dos crimes foi esclarecida e julgada. Apenas uma parte das pessoas envolvidas nestes casos pode, hoje, iniciar uma outra batalha: a luta contra o  estado por abrigar agentes que se tornaram assassinos. A outra parte, segue em perspectiva sobre quando saberão quem matou os filhos ou maridos.

A situação chega a esse ponto também porque parte das vítimas é menosprezada pelo estado, a sociedade e até por familiares. O que teria mesmo causado a morte do pequeno Henrique. Ele não resistiu à gravidade dos ferimentos por que foi  espancado? Quantos outros Henriques morrem dessa forma? 

Os crimes contra criança, as mulheres, as populações “invisíveis (negros, pobres, transexuais, moradores de rua, idosos, jovens da periferia) costumam ter ainda menos visibilidade e valia. Eram jovens e moradores de bairros periféricos as vítimas das chacinas que aconteceram durante dois anos, sem que a Polícia e a sociedade organizada agissem com a celeridade e o interesse necessário para impedir estancar tantas mortes.

É preciso acelerar as investigações, dar condições a investigadores e delegados, e cobrar resolutividade da Polícia. Ou continuaremos vivendo em uma cidade em guerra. Oito inquéritos por dia é um número alto de mais.